Energia nuclear e efeito estufa. Ela é quase tão poluidora quanto as outras

A Europa e os Estados Unidos continuam investindo na energia nuclear, sob o argumento de que é preciso conter as emissões de CO2 (gás carbônico). Assim fazendo, conferem uma aura ecológica ao nuclear. Mas o átomo é realmente uma fonte de energia elétrica que não gera gases poluentes como o CO2? Não! As suas emissões são inferiores às do carvão e do petróleo, mas estão longe de ser "zero", como dizem seus defensores. E não são sequer as mais baixas possíveis.

A Europa e os Estados Unidos continuam investindo na energia nuclear, sob o argumento de que é preciso conter as emissões de CO2 (gás carbônico). Assim fazendo, conferem uma aura ecológica ao nuclear. Mas o átomo é realmente uma fonte de energia elétrica que não gera gases poluentes como o CO2? Não! As suas emissões são inferiores às do carvão e do petróleo, mas estão longe de ser "zero", como dizem seus defensores. E não são sequer as mais baixas possíveis.
A Europa e os Estados Unidos continuam investindo na energia nuclear, sob o argumento de que é preciso conter as emissões de CO2 (gás carbônico). Assim fazendo, conferem uma aura ecológica ao nuclear. Mas o átomo é realmente uma fonte de energia elétrica que não gera gases poluentes como o CO2? Não! As suas emissões são inferiores às do carvão e do petróleo, mas estão longe de ser "zero", como dizem seus defensores. E não são sequer as mais baixas possíveis. (Foto: Luis Pellegrini)
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Exploração sustentável dos recursos do planeta, energias renováveis e conservação do meio ambiente são conceitos que determinam o atual momento histórico.

 

Por: Equipe Oásis

 

Não existem mais dúvidas quanto ao fato de que precisamos reduzir ao máximo as emissões na atmosfera de gases que provocam o efeito estufa, tais como o gás carbônico e o metano, produzidos sobretudo pela queima de combustíveis fósseis como o petróleo. As dúvidas, no entanto, existem, e são muitas, quanto aos métodos mais adequados para chegarmos a essa redução. Quando se discute esse assunto, convém partir de alguns poucos pressupostos que facilitam a compreensão do problema. São eles:

1. A energia nuclear não é um método de "emissão zero de CO2", como dizem alguns políticos.

2.O impacto da energia nuclear em termos de CO2 varia muito em função das tecnologias usadas.

3. A energia solar, desde que receba os necessários investimentos para o seu desenvolvimento, tem um impacto muito menor.

4.A energia eólica tem um impacto inferior, mas seu rendimento é escasso e trata-se de uma tecnologia muito invasiva.

 

 

Torres de resfriamento de uma usina de energia nuclear.

 

A maior parte da energia elétrica consumida no mundo é produzida a partir de fontes fósseis: sobretudo o carvão, e depois o petróleo e o gás. A combustão do carvão e do petróleo é a principal causa do aumento não-natural dos gases que provocam o efeito estufa. Entre eles, em particular, o anidrido carbônico (CO2). É justamente este gás que produz as mudanças climáticas que, cada dia mais, tornam-se o grande tema econômico, político e social do século 21. Numa situação bem diferente daquela que existia há alguns anos, hoje é difícil encontrar um cientista disposto a negar o efeito das atividades humanas sobre o clima da Terra.

Do berço à sepultura

Como se calcula o quanto polui uma atividade humana? Analisando-se cada fase isolada dessa determinada atividade, desde que ela era apenas um projeto até quando ela deixará de existir. Por exemplo, é correto pensar que uma central termoelétrica movida a carvão emite a maior parte das substâncias poluidoras durante o seu processo de funcionamento, até chegar à chaminé de descarga, mesmo que esta última seja dotada de filtros e sistemas de depuração. É preciso, no entanto, indagar também sobre como foram construídos os filtros e depuradores, sobre o tipo de energia usada (ela foi gerada pela queima de carvão, pela combustão de petróleo ou gás?). Quanto poluíram os navios e caminhões utilizados para transportá-los a seus destinos a partir dos locais onde foram fabricados (Alemanha, China, Austrália, etc)? Além disso, filtros e depuradores têm necessidades de reparos, de substituição de peças, de sistemas de controle (sondas, computadores) e certamente produzem detritos, poeira, lama tóxica que, recolhidos graças ao uso de tecnologias especializadas, precisam ser depurados. Para isso são necessários contenedores de segurança, roupas anticontaminação para os operários, custosos processos de vitrificação (para as lamas tóxicas e para alguns rejeitos radioativos).

 

A produção de energia eólica é uma das que menos poluem a atmosfera, porém interfere muito na paisagem.

 

A soma das partes

O mesmo caminho deve ser seguido para os cálculos relativos às centrais e os reservatórios de vapor, as turbinas e os alternadores, os cabos elétricos, as traves de aço, os parafusos e porcas, etc. Tudo isso foi transportado e tudo foi construído a partir de matérias primas extraídas de escavações (o cimento), de minas (ferro, cobre), poços de petróleo (plásticos, óleos, solventes). Até o carvão para aquecer as caldeiras da usina foi extraído, trabalhado e transportado. Quando, ao final, chegará o momento em que a usina será desmantelada e transformada em pedaços, cada fragmento isolado será transformado em alguma outra coisa: coloque-se tudo isso junto e o que se obtém é um verdadeiro rio de energia gasta em operações que, com as suas emissões, têm sempre um impacto sobre o ambiente.

 

Na Islândia, é comum o uso do calor das águas subterrâneas para a produção de energia elétrica.

 

Não existem refeições gratuitas

Tudo aquilo que "acontece" tem um preço. Se isso for afirmado por um sábio contemporâneo como Albert Einstein, ou por um monge chinês de 4 mil anos atrás, pouco importa. A verdade permanece e o resultado não muda. Para se calcular o preço de um sistema complexo como o da produção de energia, necessitamos de um instrumento também muito complexo, o Life Cycle Assesment (LCA, "análise do ciclo de vida), graças ao qual os pesquisadores conseguem fraccionar um determinado sistema de produção em cada uma das suas partes e fases isoladamente e a avaliá-lo em termos do impacto ambiental que provoca. Essa façanha é alcançada graças a uma "matemática" que possibilita converter cada processo em "emissões de CO2 equivalente" (CO2eq). Esta é uma medida "relativa", que confronta os outros gases de efeito estufa (vapor d'água, metano, protóxido de azoto, ozônio e gases fluorados) com uma igual massa de CO2.

 

A produção de energia a partir de painéis de captação da radiação solar é tecnologia em expansão em todo o mundo.

 

A atômica e as outras energias

Avaliando cada input e output de matéria e energia, o LCA fornece, portanto, uma avaliação do impacto ambiental por “compartimento” (consumo de recursos, poluição das águas, poluição atmosférica e assim por diante) e resume tudo isso num único valor. Aqui abaixo, a título de exemplo, mostramos uma tabela simplificada, muito sintética, das emissões em gramas de CO2eq traduzidas em quilowatts/hora (kWhel) produzido durante o exercício comercial de uma central elétrica:

# fontes fósseis: 600-1.200 gramas de CO2eq / kWhel

# solar fotovoltaico e térmico: ao redor de 90 g CO2eq / kWhel

# nuclear: 10-130 g CO2eq / kWhel

# eólica, hidroelétrica: 15-25 g CO2eq / kWhel

Esses resultados são tirados do estudo Life cycle energy and greenhouse gas emission of nuclear energy: A review, de Manfred Lenzen, doutor em física nuclear da Universidade de Bonn, Alemanha, e pesquisador da Universidade de Sidney, Austrália. O estudo completa relata os critérios, os métodos e os instrumentos matemáticos utilizados. Os interessados podem descarrega-lo em versão integral pdf (em inglês) no site:  https://www.researchgate.net/publication/222817608_Life_cycle_energy_and_greenhouse_gas_emissions_of_nuclear_energy_A_review

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