Gratidão se aprende na escola

Estudos revelam que praticar a gratidão traz benefícios para crianças e adolescentes das mais variadas classes sociais e ajuda-as a proteger-se contra situações de risco

Estudos revelam que praticar a gratidão traz benefícios para crianças e adolescentes das mais variadas classes sociais e ajuda-as a proteger-se contra situações de risco
Estudos revelam que praticar a gratidão traz benefícios para crianças e adolescentes das mais variadas classes sociais e ajuda-as a proteger-se contra situações de risco (Foto: Gisele Federicce)

 

 

 

Por: Equipe Oásis

Já se sabia que praticar a gratidão amplia as emoções positivas e o otimismo dos estudantes jovens, reduz suas emoções negativas e eventuais problemas físicos, além de aumentar suas sensações de conexão e satisfação com a escola e a vida e geral. Mas as pesquisas a esse respeito envolviam apenas alunos de classe média alta matriculados no ensino médio ou no superior. Ficava então a dúvida: resultados semelhantes também apareceriam em crianças e jovens mais novos e de outras classes sociais?

Três estudos recentes realizados nos Estados Unidos mostram que a resposta à pergunta tem grandes chances de ser positiva. Um deles, feito na Hofstra University, de Nova York, por uma equipe liderada pelo psicólogo Jeffrey Froh, envolveu a aplicação de um novo currículo sobre gratidão destinado a crianças entre 8 e 11 anos matriculadas no ensino fundamental, os mais novos alunos a serem pesquisados sobre o tema até hoje. De início, as crianças aprenderam os três tipos de avaliação que despertam a gratidão em nós:

1) Alguém fez, de propósito, algo para nos beneficiar; 

2) Proporcionar o benefício teve um custo considerável para essa pessoa;

3) O benefício é importante para nós.

 

Em seguida, esses alunos tiveram aulas diárias de meia hora sobre gratidão, durante uma semana. Depois disso, eles apresentaram um aumento sólido nos índices de pensamentos e estado de espírito relacionados à gratidão, numa demonstração da eficácia das aulas.

Outra avaliação veio por meio de uma ocasião em que os alunos foram convidados a escrever notas de agradecimento à associação de pais e mestres após uma apresentação na escola. Os estudantes que tiveram aulas de gratidão escreveram 80% mais notas do que os demais.

A segunda parte do estudo envolveu o ensino do currículo de gratidão em uma aula semanal, durante cinco semanas. Os alunos foram testados logo após o programa terminar e várias vezes a seguir, até cinco meses após a conclusão do curso.

Comparados a crianças que não assistiram a essas aulas, os frequentadores do curso apresentaram um aumento substancial de pensamentos de agradecimento, gratidão e emoções positivas no período analisado. Esse acréscimo, aliás, se mostrou mais acentuado no final, um indício de que os ensinamentos tiveram efeitos duradouros. Froh e sua equipe concluíram que até crianças na primeira fase do ensino fundamental podem aprender a enxergar o mundo e a vida pelo filtro da gratidão, um aprendizado que as torna mais sensíveis e felizes.

Uma pesquisa programada para publicação este ano pela revista School Psychology Review reforça as conclusões de Froh. O professor de psicologia Philip Watkins, da Eastern Washington University, e sua equipe aplicaram em 122 crianças matriculadas na primeira metade do ensino fundamental um currículo de fim de semana sobre conceitos como altruísmo e gratidão, e observaram que 44% desses alunos escreveram notas de agradecimento à associação de pais e mestres quando lhes foi dada uma oportunidade de fazê-lo. No grupo de controle, esse índice caiu para 25%. “Os tratamentos de gratidão são mais efetivos naqueles menos gratos”, afirma Watkins.

 

A importância da família

O terceiro estudo, conduzido pela psicóloga Mindy Ma e sua equipe na Nova Southeastern University, na Flórida, concentrou-se nos efeitos da gratidão em adolescentes afro-americanos (com idades entre 12 e 14 anos), em escolas urbanas de baixa renda e com desempenho ruim. Os pesquisadores entrevistaram cerca de 400 alunos de três escolas diferentes para descobrir se os jovens sentiam afeto em resposta a ações que outros fizeram para beneficiá-los (a chamada “gratidão de afeto moral”) ou se tendiam a concentrar-se em e apreciar os aspectos positivos que percebiam na vida e no mundo (a “gratidão de orientação de vida”). 

Os resultados mostraram que os mais propensos a se sentir gratos em relação a outras pessoas apresentaram índices maiores no interesse acadêmico, nas notas e no envolvimento extracurricular. Já os que apreciavam os aspectos positivos da vida e do mundo obtiveram, no geral, as menores pontuações no que se refere a comportamentos de risco, como consumo de drogas e prática de sexo não seguro. As relações familiares positivas apareceram associadas aos dois tipos de gratidão. Para os pesquisadores, a gratidão de afeto moral aparentemente melhora as condições positivas desses alunos, enquanto a gratidão de orientação de vida parece dar-lhes um “colchão protetor” contra algumas tentações comuns para jovens em situação social de risco.

 

Mindy e seus colegas alertam que o estudo não permite determinar se a gratidão foi a causa dos bons resultados ou vice-versa. Mas assinalam que ele contém indícios sólidos de que a gratidão pode desempenhar um papel relevante na proteção de adolescentes em situação de risco no que se refere às condições mais complicadas de suas vidas, possivelmente por enriquecer sua atitude mental e lapidar seus recursos pessoais e habilidades para lidar com problemas.

O professor de psicologia Robert Emmons, da Universidade da Califórnia em Davis, concorda que transmitir ensinamentos de gratidão para crianças é um investimento perfeitamente válido. “Conforme ficamos velhos, o dar e receber da vida é conduzido por expectativas de reciprocidade do tipo olho por olho”, comenta. “As crianças têm uma afinidade natural com a gratidão. Elas frequentemente ensinam gratidão aos pais tanto quanto estes lhes ensinam, ou até mais.”

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