Incenso tibetano. A magia da fumaça perfumada

  Desde os tempos mais remotos, em todas as civilizações, o homem utiliza certas fumaças perfumadas quando, tomado por algum impulso espiritual, deseja um contato mais efetivo com os seus deuses. Ligado ao elemento vento, o incenso é o símbolo mais direto e efetivo da oração que se pronuncia e que sobe aos céus. No Tibete, a antiga tradição manufatureira do incenso puramente natural, segundo as fórmulas budistas, ainda é praticada e, na atualidade, recebe apoio e estímulo por parte do governo para que não desapareça na voragem da Era Industrial.

 
Desde os tempos mais remotos, em todas as civilizações, o homem utiliza certas fumaças perfumadas quando, tomado por algum impulso espiritual, deseja um contato mais efetivo com os seus deuses. Ligado ao elemento vento, o incenso é o símbolo mais direto e efetivo da oração que se pronuncia e que sobe aos céus. No Tibete, a antiga tradição manufatureira do incenso puramente natural, segundo as fórmulas budistas, ainda é praticada e, na atualidade, recebe apoio e estímulo por parte do governo para que não desapareça na voragem da Era Industrial.
  Desde os tempos mais remotos, em todas as civilizações, o homem utiliza certas fumaças perfumadas quando, tomado por algum impulso espiritual, deseja um contato mais efetivo com os seus deuses. Ligado ao elemento vento, o incenso é o símbolo mais direto e efetivo da oração que se pronuncia e que sobe aos céus. No Tibete, a antiga tradição manufatureira do incenso puramente natural, segundo as fórmulas budistas, ainda é praticada e, na atualidade, recebe apoio e estímulo por parte do governo para que não desapareça na voragem da Era Industrial. (Foto: Luis Pellegrini)


 

Por: Luis Pellegrini

Vídeo: O Incenso Tibetano (cortesia do Serviço Cultural da Embaixada da China)

 

Quando visitei Lhassa pela primeira vez, no verão de 1988, uma das coisas que imediatamente chamaram minha atenção foi o agradável odor característico que se esparrama em toda a parte: nas ruas, templos, mosteiros, casas, mercados e lojas, em todos os logradouros públicos. Logo percebi de onde esse aroma provinha: da fumaça de incenso que saía e se elevava das extremidades incandescentes de pequenos cubos, pirâmides, cilindros, bastões.

 

A Praça Barkhor, coração da capital tibetana

 

Até hoje, quando me recordo da bela e misteriosa principal cidade do Tibete, penso nela como a capital mundial do incenso. O tibetano é um povo de fé que, até hoje, não toma nenhuma decisão, não dá um passo sem recorrer à ajuda e proteção dos deuses. Acender um incenso é um dos hábitos mais comuns quando se quer estabelecer contato com as misteriosas potestades do panteão budista. Como as decisões a serem tomadas são muitas e constantes, e requerem muita ajuda e proteção, haja incenso.

Por exemplo, no circuito sagrado de deambulação ao redor do palácio do Potala, a antiga residência dos Dalai Lamas, os incensários são enormes e o fumo que dia e noite sai deles chega a dificultar a visão. O mesmo acontece na Praça Barkhor, imensa esplanada em frente ao Jokhang, a catedral budista de Lhasa e em inúmeros outros lugares.

 

Maço de incenso tibetano


Incenso vem da origem dos tempos

Certo, queimar incenso não é privilégio do povo tibetano. Desde tempos imemoriais, em todos os continentes, essas fumaças perfumadas são usadas com importantes finalidades místicas, mágicas, espirituais. Lembram-se dos três presentes que os reis magos levaram para o Menino Jesus no dia 6 de janeiro do Ano 1 da Era Cristã? O primeiro presente era um pote de ouro, representando a realeza e a Divina Providência; o segundo, um pote de mirra, que nos remete ao martírio de Cristo e à virtude da paciência; o terceiro, um pote de… incenso, representando a fé, pois o incenso, numa imagem praticamente universal, simboliza a oração que chega a Deus, assim como a fumaça sobe ao céu.

 

 

A palavra incenso vem do latim incensum, “aquilo que se queima”. Existe, ao redor do mundo, uma variedade enorme de substâncias que exalam aromas quando queimadas, mas no Ocidente o incenso verdadeiro é originário das planícies da Etiópia e provém da resina de uma árvore chamada olíbano (Migiurtinus olibanum), muito usada também na perfumaria. A química industrial conseguiu isolar os elementos que compõem o incenso, de modo que, hoje, a maior parte dos produtos são feitos com essas resinas artificiais – e existem sérias dúvidas quanto aos efeitos nocivos que tais substâncias não naturais possam provocar à saúde.

 

Fieis budistas tibetanos queimam incenso na catedral de Lhassa

 

Por isso, quando decidimos comprar incenso, é importante saber se ele foi fabricado com matérias-primas naturais, sintéticas ou mistas. Existem incensos tradicionais excelentes um pouco em todo o mundo com destaque para a Ásia, onde encontramos o japonês, o chinês, o tailandês e tibetano. O mais divulgado no Ocidente continua a ser o incenso indiano – criado para um ambiente populoso, quente e úmido, este incenso produz aromas exuberantes, capazes de disfarçar odores menos agradáveis.

 

Preparação manual do incenso tibetano

 

Os grandes apreciadores, no entanto, preferem o incenso tibetano, porque se trata de uma variedade mais sutil, ideal para meditação (dizem que ele “não desconcentra”), manufaturado com ingredientes naturais (plantas medicinais). Ele se torna assim mais apropriado e saudável, mais adequado para pessoas sensíveis (inclusive, como o incenso tibetano não tem haste de bambu em seu interior, ela gera muito menos fumaça).

O vídeo abaixo, fornecido pelo Serviço Cultural da Embaixada da China no Brasil, tem como tema central o incenso tibetano. Ele mostra um dos hoje raros manufatores de incenso no Tibete, que ainda trabalha segundo os cânones da mais antiga tradição budista tibetana.


Vídeo: O incenso tibetano

 
 

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