Islândia: A ilha dos vulcões despertos

A Islândia é uma ilha totalmente vulcânica. Para os geólogos, ela é a terra das maravilhas, pois é atravessada pela Dorsal Atlântica, imensa cadeia de montanhas produzida pelo choque entre as placas tectônicas da América e da Europa. Consequências: na Islândia há vulcões que despertam a toda hora e as paisagens são de tirar o fôlego

A Islândia é uma ilha totalmente vulcânica. Para os geólogos, ela é a terra das maravilhas, pois é atravessada pela Dorsal Atlântica, imensa cadeia de montanhas produzida pelo choque entre as placas tectônicas da América e da Europa. Consequências: na Islândia há vulcões que despertam a toda hora e as paisagens são de tirar o fôlego
A Islândia é uma ilha totalmente vulcânica. Para os geólogos, ela é a terra das maravilhas, pois é atravessada pela Dorsal Atlântica, imensa cadeia de montanhas produzida pelo choque entre as placas tectônicas da América e da Europa. Consequências: na Islândia há vulcões que despertam a toda hora e as paisagens são de tirar o fôlego (Foto: Gisele Federicce)

 

Impressionante erupção com corrimento de lava ocorrida há poucos dias

Impressionante erupção com corrimento de lava ocorrida há poucos dias

 

Por: Equipe Oásis

Os islandeses estão preocupados com o incremento das atividades de vários vulcões da ilha, sobretudo o Bardarbunga. Mas os geólogos esfregam as mãos de alegria: essas erupções serão de grande ajuda para uma melhor compreensão da evolução do nosso planeta. Se existe um presente que a natureza quis dar aos que estudam a Terra, trata-se da Islândia.

 

Fantástica erupção com explosões de um vulcão islandês

Fantástica erupção com explosões de um vulcão islandês

 

Ilha turbulenta

Situada no Atlântico Norte, nas imediações do Círculo Polar Ártico, a Islândia é uma terra de grandes contrastes, cheia de montanhas algumas das quais, de repente, explodem. Um lugar ao mesmo tempo terrível e encantado, onde a natureza ainda impõe suas leis e o homem, que ali chegou no ano 874 da Era Cristã, a bordo de barcos vikings, é quem tem de se adaptar se quiser sobreviver.

 

As erupções podem acontecer próximas dos centros habitados e perto de fazendas

As erupções podem acontecer próximas dos centros habitados e perto de fazendas

 

Nessa ilha vive-se entre os silvos dos gêiseres, os estrondos dos vulcões, o borbulhar das caldeiras fumegantes. As poucas planícies são quase sempre negras de lava ou recobertas por placas de gelo, as praias são de areia escura, formadas pela incessante erosão das lavas basálticas. A razão de tudo isso deve ser procurada alguns quilômetros abaixo da superfície. Mas, em alguns pontos da ilha, essas distâncias se reduzem a alguns poucos metros.

 

A grande fissura de Almannagjá tem cerca 7 quilômetros. À direita temos o inicio da placa amricana; à esquerda, a placa Euroasiática.

A grande fissura de Almannagjá tem cerca 7 quilômetros. À direita temos o inicio da placa amricana; à esquerda, a placa Euroasiática.

 

A ilha surgiu graças ao seu vulcanismo: situada a meio caminho entre a Groenlândia e o norte da Grã-Bretanha, é a terra emersa de maior relevo na Dorsal Medioatlântica, uma enorme cadeia de montanhas submarinas, parte de um sistema de fraturas na crosta terrestre. Essa cadeia é longa cerca de 70 mil quilômetros e ela corre ao redor do globo sob os oceanos.

 

Na cor violeta temos a Dorsal Atlântica que attravessa a Islândia. Na cor vermelha são assinalados os vulcões atualmente ativos.

Na cor violeta temos a Dorsal Atlântica que attravessa a Islândia. Na cor vermelha são assinalados os vulcões atualmente ativos.

 

 O ventre da Terra 

A Dorsal Atlântica é a zona de ruptura entre as duas placas tectônicas da América e da Eurásia, que se afastam uma da outra cerca de 2 centímetros ao ano. O movimento dessas enormes massas provocam a subida do magma fundido que se acumula no centro da Terra, e cujo sucessivo resfriamento dá origem aos relevos submarinos. É essa fratura (junto a uma outra chamada de Wyrville, que vai da Escócia à Groenlândia) que deu origem à ilha e hoje é responsável pela sua intensa atividade vulcânica.

Geologicamente jovem, a Islândia é a encruzilhada de imensas tensões da crosta terrestre, responsáveis por lacerações e derramamentos de magma, terremotos que às vezes causam erupções e maremotos, com rápidas e extraordinárias alterações da paisagem.

 

Aspecto que Dorsal Atlântica que atravessa a Islândia, formando um colar de crateras de vulcões

Aspecto que Dorsal Atlântica que atravessa a Islândia, formando um colar de crateras de vulcões

 

Um “ponto quente” nas profundezas da Islândia

 Mas como é possível que dessa dorsal tenha saído assim tanto magma a ponto de criar uma ilha cuja base desce milhares de metros de profundidade sob a superfície do mar? A resposta não é muito simples, e continua a ser debatida. A hipótese mais provável é que sob a ilha também exista – além da dorsal – um “ponto quente”, ou seja, uma zona submarina que “aspira” uma grande quantidade de magma do manto terrestre e a faz sair exatamente nas proximidades da dorsal.

 

Cavalos no pasto observam uma erupção vulcânica ao longe

Cavalos no pasto observam uma erupção vulcânica ao longe

 

 Na Terra já foi detectada cerca de uma centena desses “pontos quentes”, mas são pouquíssimos os que, por coincidência, surgem exatamente sobre a dorsal. Entre eles estão, por exemplos o das Ilhas Açores, a Ilha Ascensão e a Ilha de Tristão da Cunha. No momento, o “ponto quente” islandês encontra-se sob o vulcão Trolladyngja.

 

Em certos pontos onde a fissura é mais profunda, o espaço foi preenchido pelas águas. É possível mergulhar nelas e nadarentre duas paredes, uma da América, a outra da Europa

Em certos pontos onde a fissura é mais profunda, o espaço foi preenchido pelas águas. É possível mergulhar nelas e nadarentre duas paredes, uma da América, a outra da Europa

 

O reservatório magmático chega normalmente a cerca 350-400 quilômetros de profundidade no manto terrestre. O magma que chega à superfície na Islândia, no entanto, parece ter origem em níveis muito mais profundos, para além de 2.880 quilômetros de profundidade, ou seja, no limite entre o manto e o núcleo terrestre. Se não fosse esse reservatório de magma continuamente abastecido a partir das profundezas da terra, não existiria a possibilidade de formação da ilha, pois o movimento das placas não teria permitido ao magma da dorsal acumular-se até chegar a formar a Islândia.

 

No fundo de uma fissura um mergulhador toca ao mesmo tempo as extremidades das placas tectônicas americana e europeia

No fundo de uma fissura um mergulhador toca ao mesmo tempo as extremidades das placas tectônicas americana e europeia

 

 Como já dissemos, a Islândia é relativamente jovem: nasceu há 17 milhões de anos e desde então o seu vulcanismo, do ponto de vista geológico, tem sido incessante. Desde o final da última Era Glacial, ou seja, de cerca 15 mil anos até os dias de hoje, na ilha estiveram ativos mais de 200 vulcões. A zona onde hoje se encontram mais vulcões em atividade encontra-se ao norte e a oeste do glaciar Vatnajokull, que recobre quase um terço da superfície total da Islândia. 

O tipo de vulcanismo majoritário que caracteriza a Islândia é o das “erupções lineares”: ou seja, a lava sai de uma fratura, e quando a erupção termina fica muitas vezes difícil individuar as bocas eruptivas.

 

Vídeo: Erupção linear do vulcão Bardarbunga, na Islândia, no dia 1º de setembro 2014

 

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