Máquinas de fazer dinheiro. Os impostos mais absurdos do mundo

Do imposto sobre o uso de e-mails em Uganda, até o que incide sobre a flatulência das vacas na Dinamarca, o número de impostos doidos não para de crescer. Há um imposto sobre o nome dos filhos (na Suécia), e um outro para permitir da prática da feitiçaria (na Romênia). Todos eles aprovados pelos respectivos governos (e confirmados por parlamentos). Confira alguns dos impostos mais aloprados em todo o mundo.

Do imposto sobre o uso de e-mails em Uganda, até o que incide sobre a flatulência das vacas na Dinamarca, o número de impostos doidos não para de crescer. Há um imposto sobre o nome dos filhos (na Suécia), e um outro para permitir da prática da feitiçaria (na Romênia). Todos eles aprovados pelos respectivos governos (e confirmados por parlamentos). Confira alguns dos impostos mais aloprados em todo o mundo.
Do imposto sobre o uso de e-mails em Uganda, até o que incide sobre a flatulência das vacas na Dinamarca, o número de impostos doidos não para de crescer. Há um imposto sobre o nome dos filhos (na Suécia), e um outro para permitir da prática da feitiçaria (na Romênia). Todos eles aprovados pelos respectivos governos (e confirmados por parlamentos). Confira alguns dos impostos mais aloprados em todo o mundo. (Foto: Luis Pellegrini)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

 

Por: Equipe Oásis


Admitamos: alguns impostos são tão destituídos de propósito e tão injustos que qualquer um de nós votaria tranquilamente para a sua abolição. Mas aqui mesmo, no Brasil, se o Impostômetro assinala a cada dia a corrida desvairada dos impostos, o que diríamos se nos fosse imposta uma taxa para o uso das mídias sociais ou para a livre escolha do nome de um filho? Ou se, na próxima declaração do imposto de renda, tivéssemos de preencher um item referente ao imposto sobre a respiração? Pois saibam que em alguns lugares do mundo, por mais que pareça incrível, essas taxas já existem e são regularmente cobradas.

 


O imposto sobre as mídias sociais

Há pouco, no dia 1o deste mês de junho de 2018, a Uganda foi o primeiro país do mundo a lançar um imposto sobre o uso das mídias sociais. Nesse país situado no coração da África, para usar serviços como Whatsapp, Facebook e Twitter os cidadãos terão de pagar 200 xelins (5 centavos de euro) ao dia. Yoweri Museveni, o atual chefe de Estado ugandense, declarou que a taxa era necessária “para se combater a ameaça das fofocas e das fake news que imperam nas mídias sociais”.

“Com o dinheiro coletado pelo imposto, a nação poderá remediar as consequências das fofocas”, completou Museveni. A polêmica entre o presidente de Uganda e as mídias sociais já é antiga: em 2016 ele tinha proibido o acesso a todas elas durante a campanha eleitoral, como medida destinada a “prevenir a difusão de mentiras”. Houve, claro, muitos protestos por parte de cidadãos ugandeses que consideram tudo isso uma enorme violação da liberdade de expressão.

 


O imposto sobre a respiração

Se você for passar algumas horas no aeroporto internacional de Maiquetia, em Caracas, na Venezuela, precisará ter no bolso 127 bolívares (20 euros): esta é a taxa que os passageiros são obrigados a pagar para respirar. As autoridades afirmam que essa cobrança é necessária para compensar o custo do sistema de filtragem do ar instalado em 2014 naquele aeroporto. Segundo o Ministério da água e do transporte aéreo venezuelano, esse sistema de filtragem sanifica e tira os maus cheiros do aeroporto e bloqueia a proliferação e difusão de bactérias, protegendo dessa forma a saúde dos passageiros.

O imposto sobre furtos e comissões 

Se um cidadão dos Estados Unidos consegue alguma renda considerada irregular, nem que seja uma modesta comissão pela intermediação de um negócio, a lei federal pretende que essa pessoa recolha impostos. O Internal Revenue Service (IRS) dos Estados Unidos pretende, com efeito, que qualquer indivíduo que receba uma comissão a declare como parte da sua própria renda e recolha os impostos a ela aplicáveis. Mas não apenas: O IRS também exige que sejam declarados os proventos derivados de atividades ilegais ou criminosas como o tráfico de drogas.

E em caso de furto ou roubo? O ladrão deverá pagar o imposto correspondente ao valor do objeto roubado (é exatamente assim!). A exoneração fiscal só é considerada se o ladrão devolver o produto do roubo no decurso de um ano solar a partir da data em que o crime foi cometido. A boa notícia, para os desonestos, é que o IRS não exige que a natureza e origem do ganho seja revelada: o ladrão contribuinte pode simplesmente declará-la como “outras rendas”. E se o ladrão não paga? Se o crime for descoberto, ele será também acusado de evasão fiscal (o que nos Estados Unidos pode acarretar uma pena superior à do próprio roubo). Quem poderia dizer alguma coisa a respeito é o mafioso Al Capone, que foi incriminado exatamente por isso, e não por homicídio ou qualquer outra ilegalidade.

 


O imposto sobre a feitiçaria 

Na Romênia, trabalhos de magia e de feitiçaria constituem um business florescente. Até pouco tempo atrás, essa atividade não era reconhecida pelo governo e, portanto, não sujeita a pagar impostos. Mas em 2011, quando a Romênia enfrentou uma difícil crise financeira, o então Ministro da Fazenda decidiu impor impostos também sobre profissões que não eram oficialmente “reconhecidas”. Entre elas foram incluídos os serviços prestados por astrólogos, cartomantes, magos e feiticeiros, que desde então estão obrigados a pagar 16% dos seus rendimentos ao governo. Resultado? Milhares de feitiços horrorosos lançados contra os governantes e os políticos em geral.

 


O imposto sobre o nome das crianças

Certas regras devem ser observadas quando atribuímos um nome a nossas crianças. Elas deverão carregá-lo pelo resto de suas vidas, e não é justo que a cidadã venha a se chamar Dona Magnésia Bisurata, ou Dona Naftalina (como já ocorreram vários casos aqui no Brasil). Mas um caso particular é o da Suécia, país onde o nomes que se dão aos filhos têm necessidade de aprovação por parte de uma entidade fiscal. Os suecos são intimados a submeter os nomes dos filhos para aprovação no prazo máximo de 5 anos da data do nascimento. Depois disso, caso os pais não obtenham a aprovação do órgão, os pais não apenas terão de mudar o nome da criança como serão obrigados a pagar uma multa de até 5 mil coroas (cerca de 500 euros). A lei remonta ao ano de 1982, e foi oficialmente criada para impedir que os cidadãos comuns dessem a seus filhos nomes de membros da família real, mas ela hoje é aplicada para proteger a criança de ter de carregar um nome ofensivo, ridículo ou confuso. Só para dar alguns exemplos, a agência fiscal já proibiu o nome “Ikea” (por causa do perigo de gerar confusão com o nome da famosa rede sueca de grandes lojas), e de Allah (por causa de um potencial crime religioso). Foi também proibido o nome “Brfxxccxxmnpcccclllmmnprxvclmnckssqlbb11116”, que um casal de genitores queria atribuir ao seu filho como forma de protesto. No entanto, os nomes “Google”e “Lego” foram recentemente autorizados.

 


O imposto sobre a maconha

Como era previsível, a legalização com finalidades terapêuticas da maconha (e assemelhados como a marijuana e o hashish) trouxe alguns problemas para o fisco. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde – com receita médica – o uso da droga é legal em 29 estados, o já citado IRS solicita às empresas que plantam e vendem maconha que paguem o imposto de renda federal sobre os proventos dessas vendas. Tais empresas já pagam impostos estaduais e federais pela venda desses produtos, o que coloca as normas fiscais da IRS para as empresas que produzem e comercializam maconha muito mais severas do que aquelas aplicadas às demais empresas.

Mas… já que o governo federal dos Estados Unidos classifica a maconha como substância ilegal, o IRS classifica os proventos advindos da comercialização da maconha como ilegais. Assim sendo, as empresas que se dedicam a essa atividade não podem, por exemplo, deduzir as despesas por aluguel, publicidade e salários dos funcionários como acontece para qualquer outra atividade “normal”. Portanto, elas pagam impostos mais altos do que as outras empresas. A única detração admissível são as despesas gastas para o cultivo da maconha, entendida como atividade agrícola normal.

 


O imposto sobre a flatulência das vacas

Por fim, uma notícia que talvez deixe nossos pecuaristas de cabelos em pé: as taxas cobradas para compensar os gases ricos em CO2 que as vacas e bois produzem e soltam na atmosfera. A maior parte das pessoas pensa que o excesso de carros nas estradas e nas ruas das cidades, ou as fábricas que vomitam quantidades enormes de fumaça são as única principais causas do aumento do índice de gases de efeito estufa. Mas a União Europeia descobriu um outro grande culpado pela poluição atmosférica que leva ao aquecimento global: Os gases produzidos nos intestinos das vacas e a descarga deles no meio ambiente. Estudos recentes mostraram, com efeito, que o metano liberado pelas vacas – que digerem lentamente suas rações de feno e milho – representa entre 10% a 18% do total de gases de efeito estufa na Europa. Com o objetivo de frear a epidemia de gases poluidores provocada pelas vacas, alguns países da UE decidiram aplicar impostos sobre os bovinos. A Dinamarca encabeça a lista desses países, cobrando dos seus pecuaristas um imposto de 100 euros anuais (cerca de 500 reais) por cada vaca!

 
 

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247