Nós criamos nossa própria realidade. Que mundo você está criando para si mesmo?

Realidade não é aquilo que você percebe; é algo que você cria em sua mente. Isaac Lidsky aprendeu essa profunda lição por experiência própria, quando circunstâncias inesperadas em sua vida lhe trouxeram valiosos insights. Nesta palestra muito pessoal e introspectiva, ele nos desafia a não mais usar desculpas, a parar de lançar mão de justificativas e a abandonar os medos, de modo a aceitar a responsabilidade de sermos os criadores da nossa própria realidade.

Realidade não é aquilo que você percebe; é algo que você cria em sua mente. Isaac Lidsky aprendeu essa profunda lição por experiência própria, quando circunstâncias inesperadas em sua vida lhe trouxeram valiosos insights. Nesta palestra muito pessoal e introspectiva, ele nos desafia a não mais usar desculpas, a parar de lançar mão de justificativas e a abandonar os medos, de modo a aceitar a responsabilidade de sermos os criadores da nossa própria realidade.
Realidade não é aquilo que você percebe; é algo que você cria em sua mente. Isaac Lidsky aprendeu essa profunda lição por experiência própria, quando circunstâncias inesperadas em sua vida lhe trouxeram valiosos insights. Nesta palestra muito pessoal e introspectiva, ele nos desafia a não mais usar desculpas, a parar de lançar mão de justificativas e a abandonar os medos, de modo a aceitar a responsabilidade de sermos os criadores da nossa própria realidade. (Foto: Luis Pellegrini)


 

 

Vídeo: TED – Ideas Worth Spreading. Tradução: Bertrand Campos. Revisão: Maricene Crus

Fonte: Site www.luispellegrini.com.br

 

Isaac Lidsky dirige uma grande empreiteira de serviços sediada na Flórida, e é co-fundador de uma startup de Internet. É formado em matemática e ciências da computação na Universidade Harvard, e logo depois formou-se em direito pela mesma universidade. Sua rica biografia pessoal e profissional esconde um segredo: ele é deficiente visual


Vídeo:

 

 


Tradução integral da palestra de Isaac Lidsky no TED:

Quando Dorothy era uma garotinha, era fascinada por seu peixinho dourado. Seu pai explicava a ela que o peixe nada abanando rápido sua cauda para se mover na água. Sem hesitar, Dorothy respondeu: “Sim, papai, e os peixes nadam para trás abanando suas cabeças”. Em sua mente, era um fato verdadeiro como qualquer outro. Peixes nadam para trás abanando suas cabeças. Ela acreditava nisso.

Nossas vidas estão cheias de peixes nadando para trás. Fazemos suposições e lógicas defeituosas. Temos preconceitos. Sabemos que nós estamos certos, e eles estão errados. Nós tememos o pior. Lutamos por uma perfeição inatingível. Nós dizemos a nós mesmos o que podemos ou não fazer. Em nossas mentes, peixes nadam ao contrário abanando suas cabeças e nem sequer percebemos.

 

Isaac Lidsky

 

Eu vou contar cinco fatos sobre mim. Um desses fatos não é verdadeiro. Um: eu me graduei em Harvard aos 19 anos e com grau de honra em matemática. Dois: eu atualmente gerencio uma empresa de construção em Orlando. Três: eu estrelei numa série de televisão. Quatro: eu perdi minha visão para uma doença ocular genética rara. Cinco: eu servi como assistente legal a dois juízes da Suprema Corte dos EUA. Qual desses fatos não é verdade? (Plateia responde indistintamente) Na realidade, todos eles são verdadeiros. Sim. É tudo verdade.

Nesse ponto, a maioria das pessoas só se importa com a série de televisão.

Eu sei disso por experiência. O programa era na NBC “Uma Galera do Barulho: Nova Geração”, e interpretei Weasel Wyzell, que era um típico personagem palerma e nerd no seriado, e que foi um grande desafio de atuação para mim, como um menino de 13 anos.

Agora, vocês estão pensando no número quatro, minha cegueira? Por que então? Fazemos suposições sobre os chamados deficientes. Como um cego, eu encaro suposições incorretas dos outros sobre minhas habilidades todos os dias. Contudo, meu ponto hoje não é sobre a minha cegueira. É sobre a minha visão. Ficar cego me ensinou a viver minha vida com olhos bem abertos. Ela me ensinou a identificar aqueles peixes que nadam para trás, criados por nossa mente. Ficar cego os colocou em foco.

 

 

 

 

Qual é a sensação de enxergar? É imediata e passiva. Você abre seus olhos e aí está o mundo. Ver para crer. A visão é verdade. Certo? Bem, era isso o que eu pensava.

Então, dos 12 aos 25 anos minhas retinas deterioraram gradualmente. Minha visão tornou-se um crescente e bizarro salão de carnaval de espelhos e ilusões. O vendedor que eu estava aliviado de encontrar em uma loja, era, na verdade, um manequim. Ao inclinar para lavar as mãos, de repente percebia que tocava um mictório, não uma pia, quando meus dedos perceberam seu formato real. Um amigo descrevia uma fotografia em minha mão, e só assim eu podia enxergar a imagem retratada. Objetos apareciam, transformavam-se e desapareciam na minha realidade. Era difícil e desgastante enxergar. Eu reunia imagens fragmentadas e transitórias, analisava conscientemente as pistas, procurava por alguma lógica em meu caleidoscópio arruinado, até que eu não pude ver mais nada.

Aprendi que o que vemos não é a verdade universal. Não é a realidade objetiva. O que vemos é uma realidade única, pessoal e virtual que é magistralmente construída pelo nosso cérebro.

Vou explicar um pouco de neurociência amadora. O seu córtex visual ocupa cerca de 30% do seu cérebro. Isso é comparado a cerca de 8% para o toque e 2 à 3% para a audição. A cada segundo, seus olhos podem enviar ao seu córtex visual tanto quanto 2 bilhões de informações. O resto do seu corpo pode enviar ao cérebro só 1 bilhão adicional. Então, a visão é um terço do seu cérebro em volume e pode reivindicar cerca de dois terços dos recursos de processamento do cérebro. Não é surpresa, então que a ilusão de enxergar seja tão atraente. Mas não se enganem sobre isso: visão é uma ilusão.

 

 

 

 

Aqui é onde fica interessante. Para criar a experiência da visão, seu cérebro faz referência à compreensão conceitual do mundo, outros conhecimentos, suas memórias, opiniões, emoções, atenção mental. Tudo isso e muito mais estão ligados, em seu cérebro até sua visão. Estas ligações funcionam nos dois sentidos e geralmente ocorrem subconscientemente. Então por exemplo: o que você vê impacta como você se sente, e a forma como você se sente pode literalmente mudar o que vê. Numerosos estudos demonstram isso. Se você for solicitado para estimar a velocidade de caminhada de um homem em um vídeo, por exemplo, sua resposta será diferente se te disserem para pensar em leopardos e tartarugas. Uma colina parece mais íngreme se você acabou de se exercitar, e um ponto de referência parece mais longe se você estiver usando uma mochila pesada. Chegamos a uma contradição fundamental. O que você vê é uma construção mental complexa de sua própria criação, mas você a experimenta passivamente, como uma representação direta do mundo ao seu redor. Você cria a sua própria realidade, e você acredita nela. Acreditei na minha até ela se despedaçar. A deterioração dos meus olhos quebrou essa ilusão.

A visão é apenas uma maneira de moldar a nossa realidade. Nós criamos nossas próprias realidades em muitas outras maneiras. Vamos pegar o medo como apenas um exemplo. Seus medos distorcem sua realidade. Sob a lógica distorcida do medo, qualquer coisa é melhor do que o incerto. O medo preenche o vazio a todo custo, transferindo o que teme para o que sabe, oferecendo o pior em troca da ambiguidade, substituindo suposição por razão. Os psicólogos têm um grande termo para isso: terrificar.

 

 

 

 

Certo? O medo substitui o desconhecido com o terrível. O medo é a auto-realização. Quando enfrentar uma grande necessidade de olhar fora de si mesmo e pensar criticamente, o medo bate em retirada no fundo da sua mente, encolhendo e distorcendo o seu ponto de vista, afetando sua capacidade de pensamento crítico com uma enchente de emoções perturbadoras. Quando você encontra uma oportunidade atraente para agir, o medo te deixa sem ação, e te convida a assistir passivamente suas profecias se realizarem.

Quando eu fui diagnosticado com a doença que cegava, tinha certeza de que a cegueira arruinaria minha vida. Cegueira era uma sentença de morte para a minha independência. Era o fim de conquistas para mim. Cegueira significava que eu iria viver uma vida banal, pequena e triste, e provavelmente solitária. Eu sabia. Era uma ficção criada por meus medos, mas eu acreditei. Era uma mentira, mas era a minha realidade, assim como os peixes que nadam para trás, na mente da pequena Dorothy. Se eu não tivesse enfrentado a realidade do meu medo, eu a teria vivido. Estou certo disso.

Então como deixar seus olhos da vida bem abertos? É uma disciplina aprendida. Pode ser ensinada, pode ser praticada. Vou resumir muito brevemente.

Mantenha-se responsável por cada momento, cada pensamento, cada detalhe. Veja além dos seus medos. Reconheça suas suposições. Canalize sua força interna. Silencie seu crítico interno. Corrija suas ideias erradas sobre sorte e sucesso. Aceite suas fortalezas e suas fraquezas, e compreenda as diferenças. Abra seu coração para as suas bênçãos abundantes.

Seus medos, suas críticas, seus heróis, seus vilões, eles são as suas desculpas, racionalizações, atalhos, justificativas, a sua rendição. Eles são ficções que você percebe como realidade. Escolha ver através deles. Opte por deixá-los ir. Você é o criador de sua realidade. Com esse empoderamento vem a responsabilidade completa.

Escolhi sair do túnel do medo e entrar em terreno desconhecido e indefinido. Escolhi construir ali uma vida abençoada. Longe de estar sozinho, compartilho minha linda vida com Dorothy, minha linda esposa, com os nossos trigêmeos, que chamamos os Tripskys, e com a mais recente adição à família, a doce bebê Clementine.

Do que você tem medo? Que mentiras você diz a si mesmo? Como você enfeita sua verdade e escreve suas próprias ficções? Que realidade você está criando para si mesmo?

Em sua carreira e vida pessoal, em seus relacionamentos, e dentro do seu coração e alma, seus peixes que nadam para trás te fazem muito mal. Eles te custam a perda de oportunidades e a não realização de seu potencial, e geram insegurança e desconfiança enquanto você procura realização e afinidade. Instigo vocês a procurá-los por aí.

 

 

 

 

Helen Keller disse que a única coisa pior do que ser cego é poder enxergar, mas não ter visão. Para mim, ficar cego foi uma profunda bênção, porque a cegueira me deu visão. Espero que vocês possam ver o que eu vejo.

Obrigado.

Bruno Giussani: Isaac, antes que deixe o palco, só uma pergunta. Esta é uma plateia de empresários, de criadores, de inovadores. Você é o CEO de uma empresa na Flórida, e muitos devem estar se perguntando, como é ser um CEO cego? Que tipo de desafios específicos você tem, e como você os supera?

Isaac Lidsky: Bem, o maior desafio se tornou uma bênção. Eu não recebo feedback visual das pessoas.

BG: Que barulho é esse aí?

IL: Sim. Por exemplo, em reuniões com minha equipe de liderança, não vejo expressões faciais ou gestos. Eu aprendi a solicitar muitos feedbacks verbais. Basicamente, eu forço as pessoas a me dizer o que pensam. E a respeito disso, tornou-se, como eu disse, uma bênção para mim pessoalmente e para a empresa, porque nos comunicamos num nível muito mais profundo, evitamos ambiguidades, e o mais importante: minha equipe sabe que o que eles pensam realmente importa.

BG: Isaac, obrigado por vir ao TED.

IL: Obrigado, Bruno.

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