Patagônia Norte, tudo é mítico nesse lugar

Cumes nevados, rios e torrentes de pura cor turquesa, os pampas imensos, vazios, cortados pelos 800 quilmetros da Carretera Austral

Por Jaime Borquez e Luis Pellegrini

“Nunca estive mais perto das estrelas do que certa noite, ao redor de uma fogueira, num rancho na Patagônia chilena”, escreveu a jornalista sueca Anne Palmers. Tivemos, há pouco, a chance de viver essa mesma experiência, quase todas as noites, ao visitar a região de Aysén, em pleno coração da Patagônia Norte, no Chile. Estrelas para ninguem botar defeito, milhões delas, rebrilhando num céu limpo que apenas as alturas das montanhas andinas conseguem descortinar.

Tudo é mítico nesse lugar. Para os amantes das grandes cenografias naturais, Aysén é simplesmente de tirar o fôlego. As fotos, nesse sentido, falam mais do que as palavras. No entanto, poucos, no Brasil e no mundo, ouviram falar desse destino turístico único. Para muitos, a Patagônia fica na Argentina. Mas isso é apenas uma meia verdade. O termo denomina toda a parte meridional da América do Sul, estendendo-se pela Argentina e também pelo Chile.

A Carretera Austral

A Carretera Austral

O Chile, por sinal, está hoje muito interessado em destacar e promover este seu canto encravado entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. As razões disso ficam evidentes quando se visita a região, quase virgem, pouco tocada pela mão do homem, de beleza agressiva e vertiginosa. Sua variedade de áreas geológica e em matéria de ecossistemas é impressionante para um território, afinal, relativamente exíguo. Nele existem selvas úmidas, repletas de carvalhos centenários e várias outras espécies de cujos galhos pendem musgos esbranquiçados que mais parecem tranquilos fantasmas. Existem pampas, cachoeiras, lagos e rios repletos de trutas e salmões, glaciares, povoados de colonizadores cuja gentileza enternece, várias reservas naturais onde são preservados animais quase extintos como o huemul, um grande cervídeo andino. Além disso, em Aysén o crime e a violência são coisas praticamente desconhecidas. É grande o número de turistas do mundo todo, sobretudo jovens, que transitam a pé, de bicicleta, a cavalo pelas estradas de terra e os sendeiros da região. Nada os ameaça, nem bandoleiros que hoje infestam as grandes cidades, nem animais selvagens. O bicho aparentemente mais feroz da Patagônia é o puma, grande felino primo da onça e do leopardo. Mas ele prefere caçar suas lebres e coelhos e dos humanos mantém sempre uma prudente distância.

Os sendeiros da Patagônia Norte são o paraíso dos ciclistas

Os sendeiros da Patagônia Norte são o paraíso dos ciclistas

Aysén tem muito poucas aglomerações urbanas que merecem o nome de cidade. Mas em todas elas shoppings, hotéis, restaurantes, infraestrutura para o turismo, todos os confortos da civilização moderna estão presentes. De Coyhaique, capital regional, pode-se fazer uma cavalgada à montanha McKay, que protege a cidade dos ventos que vêm do oeste. Quem fizer esse passeio no entardecer de um dia de verão ficará impressionado com a paleta de cores que surgem nos céus claros do lugar. Outro ponto imperdível para os apaixonados de trekking é a região de Cerro Castillo, montanha andina coberta por neves eternas. Por ali fica o lago General Carrera, um dos maiores do Chile, e o passeio até as “cavernas de mármore”, nas imediações, é o ponto alto do trajeto. Perto do povoado de Cochrane há uma outra visita inesquecível: a reserva nacional Tamango, onde existe a maior concentração de huemuls de toda a Patagônia.

O enorme glaciar O´Higgins

O enorme glaciar O´Higgins

No extremo sul de Aysén, já próximo ao Pacífico, fica o originalíssimo povoado de Caleta Tortel. Todo erigido sobre um terreno de turfa, recoberto por musgos e liquens, suas casas são feitas sobre palafitas, e todas as ruas e praças públicas são plataformas de madeira. Em Tortel não existem veículos motorizados. A localidade já está próxima ao Campo de Gelo Sul, e é ponto de partida para a visita a vários glaciares, entre eles o famoso Glaciar O’Higgins.

Na parte mais setentrional da Patagonia Norte chilena a paisagem muda. Alí estão as florestas úmidas, quase impenetráveis, como a que se encontra próxima à geleira suspensa de Queulat.

Casario típico da cidadezinha de Melinka, nas Ilhas Guaitecas

Casario típico da cidadezinha de Melinka, nas Ilhas Guaitecas

Quem deseja conhecer uma das maravilhas geológicas do mundo precisa subir num barco e navegar até o Glaciar San Rafael que é, em todo o mundo, a geleira mais próxima ao Equador. Nessa região há vários vulcões ativos, como o Hudson e, recentemente os quase desconhecidos Chaitén - que se supunha fosse só uma montanha, até ele explodir há dois anos, produzindo um grave desastre ecológico e social – e o Puyuhuapi, que até agora está vomitando cinzas e causando transtornos nos aeroportos da vizinha Argentina. Toda essa atividade vulcânica faz, no entanto, com que as águas termais sejam muito abundantes na região. Os hotéis especializados que ali estão são verdadeiras mecas de um turismo especializado em saúde, descanso e recuperação de forças. Não deixe de desfrutar das regalias do Hotel e do spa Termas de Puyuhuapi, o mais chique de toda a Patagônia Norte.

O cemitério misterioso da Ilha dos Mortos, em Tortel

O cemitério misterioso da Ilha dos Mortos, em Tortel

Um roteiro mais completo pela região de Aysén implica também numa visita a algumas dentre as centenas que pontilham o litoral marinho. Sugerimos a ilha de Melinka, onde existe um pequeno povoado de pescadores artesanais. De Melinka pode-se sair ao largo para a observação de baleias jubarte. Elas são cada vez mais numerosas na região, nos meses mais quentes, possivelmente por causa da abundância dos cardumes de anchovas nessa região do Pacífico.

Pesca e caiaque no rio Baker, o mais caudaloso do Chile

Pesca e caiaque no rio Baker, o mais caudaloso do Chile

Se você for amante da pesca esportiva, então, vai encontrar na Patagônias Norte chilena o seu paraíso. Lagos como o Rosselot, o Castor, o Pólux, o Misterioso, assim como os rios Simpson, Mañihuales ou o majestoso Baker – o rio mais caudaloso do Chile -, são o destino sonhado dos que desejam ter a emoção de pescar trutas e salmões. Prepare os músculos: os salmões selvagens chilenos podem facilmente ultrapassar os vinte quilos. E você também poderá voltar uns bons quilos mais pesado: a gastronomia local, regada a ótimos vinhos chilenos, é saborosa e abundante.

Info:

www.jaimeborquez.com

Sernatur - Serviço Nacional de Turismo - http://www.recorreaysen.cl/

JB Viagem - (5511) 9101.4772 | (5511) 8042.2196

 

Uma amostra da Patagonia Norte chilena no vídeo:

 

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