Quer viver 116 anos?

A sabedoria é uma conquista. Sem ela, os atropelos do dia a dia nos roubam um tempo de vida que gostaríamos de continuar vivendo

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Dona Sebastiana de Lourdes Silva tem 116 anos. Ela vive em um asilo na cidade de Resende, interior do Rio de Janeiro. Seu segredo para longevidade é "rezar e aproveitar a vida a cada dia enquanto Deus permitir". O bom humor faz parte da sua história. Não guarda ressentimentos. Gosta da prosa, gosta de falar do passado, da grande revolução tecnológica que foi o rádio, das construções que foram mudando a paisagem da cidade.

Uma confidente de Bastiana, como é conhecida, diz que ela não se casou, nem teve filhos, mas mais do que isso, sempre disse que "homem não presta".

A reportagem, do jornal Folha de São Paulo, que traz essa mulher e sua história, nos leva a algumas reflexões interessantes.

A busca pela longevidade faz com que as pessoas recorram a muitos tratamentos. Desde uma certa síndrome de Dorian Gray, de segurar o tempo, de manter a aparência jovem até uma ação mais consciente de ter atividades que prolonguem a vida com qualidade.

Comer adequadamente, tomar as vitaminas da moda, praticar algum tipo de atividade física, evidentemente todos esses fatores contribuem para a longevidade, mas há algo revelador na rotina diária de Bastiana. Ela se alimenta de três em três horas, faz sete refeições ao dia, toma muita água e entoa canções religiosas que acalmam o seu espírito.

A busca pela paz interior talvez seja um dos grandes desafios dos nossos tempos. Os problemas terão de ser enfrentados cotidianamente, não há como fugir das responsabilidades, não há como não se decepcionar com pessoas. As traições, as mentiras, os dissabores ocorrem com muito mais frequência do que gostaríamos, mas viver para se vingar, remoer ódios antigos, prolongar as tristezas, não contribuem para uma vida com qualidade.

Bastiana diz que não há nada melhor do que cantar: "Mãezinha do céu, eu não sei rezar. Eu só sei dizer quero te amar. Azul é seu manto, branco é seu véu. Mãezinha, eu quero te ver lá no céu...". Canta baixinho nos corredores do asilo. Canta e acalma os sentimentos.

Na obra de Shakespeare, Rei Lear, o memorável autor traz o tema do envelhecimento sem sabedoria. O monarca dividiu tudo com as duas filhas por não ter sido adulado por aquela que realmente ele sabia ser boa. O bobo da corte nos ensina "que pena que esse homem ficou velho sem ficar sábio".

A sabedoria é uma conquista. Competir, correr, administrar, organizar, conviver - todos esses verbos aparecerão juntos ao verbo viver e também a outros mais contemplativos, como amar, sonhar, ousar. Com sabedoria, esses verbos são conjugados no tempo certo. Sem sabedoria, os atropelos do dia a dia nos roubam um tempo de vida que gostaríamos de continuar vivendo.

Aos 116 anos, perto de ser considerada a mulher mais velha do mundo, Bastiana diz que importante mesmo é ter amigos. Com muito amor. Intensamente.

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