Salvator Mundi. O último Da Vinci vai a leilão

O impressionante retrato de Cristo produzido por Leonardo da Vinci, vai a leilão no próximo dia 15 de novembro em Londres, com lances a partir de 100 milhões de dólares. Trata-se do último óleo de autoria do gênio da Toscana ainda em mãos de particulares.

O impressionante retrato de Cristo produzido por Leonardo da Vinci, vai a leilão no próximo dia 15 de novembro em Londres, com lances a partir de 100 milhões de dólares. Trata-se do último óleo de autoria do gênio da Toscana ainda em mãos de particulares.
O impressionante retrato de Cristo produzido por Leonardo da Vinci, vai a leilão no próximo dia 15 de novembro em Londres, com lances a partir de 100 milhões de dólares. Trata-se do último óleo de autoria do gênio da Toscana ainda em mãos de particulares. (Foto: Luis Pellegrini)

 

Por: Equipe Oásis

 

O quadro de madeira de 66 x 46 cm foi redescoberto há poucos anos. Trata-se de Salvator Mundi, um retrato de Cristo com a mesma atmosfera sombria da Gioconda. A obra está na Inglaterra, nas mãos da Christie’s, a maior casa de leilões do mundo, que fixou uma base mínima de 100 milhões de dólares (350 milhões de reais para bater o martelo: o valor mais alto desde sempre na história dos leilões de obras de arte. No entanto, o céu é o limite para o valor deste quadro, cujo arremate poderá atingir cifras espantosas.

Leonardo Da Vinci foi um gênio multifacetado e prolífico, mas as pinturas comprovadamente de sua autoria que chegaram até nós são menos de vinte. Agora, a única obra dele que ainda se encontrava em poder de proprietários privados, está à venda.

Um passado de luz e sombra. A obra, do período renascentista, é um painel de madeira pintado a óleo entre 1506 e 1513, em Milão, provavelmente uma encomenda do rei Luiz 12 da França.

 

O enigmático Salvador do Mundo. O Cristo de Da Vinci se apresenta em visão frontal, a mão direita levantada em gesto de benção, mas não existe auréola ao redor da cabeça. O único elemento divino do retrato é o globo de cristal na mão esquerda, símbolo do poder sobre o universo, e também símbolo do interesse científico de Leonardo. O globo, com efeito, é certamente um cristal de quartzo transparente polido (é evidente o estudo ótico da pintura). Esses objetos, conhecidos como “bolas de cristal”, são desde sempre elementos do interesse dos estudiosos de esoterismo, talvez por causa das suas curiosas propriedades elétricas.

 

Detalhe do globo de cristal de rocha e dos cabelos do Salvador. Foto: Christie’s.

 

Já no século sucessivo, o retrato está na Inglaterra, onde, segundo o inventário dos bens do rei Carlos 1o , se encontrava nos aposentos privados da esposa, a rainha Henrieta Maria de França. Em 1763 foi vendido no leilão dos bens de Charles Herbert Sheffield, filho ilegítimo do Duque de Buckingham. Desde então, simplesmente desapareceu.

Dado como perdido, mas não esquecido graças às várias cópias feitas pelos discípulos de Leonardo que usavam a obra como base para treinar técnicas de pintura, em 1958 reapareceu e foi reconhecido como pintado pelo discípulo Bernardino Luini e vendido por apenas 50 dólares! 

Em 2010, finalmente, quatro especialistas (entre os quais os italianos Pietro Marani e Maria Teresa Fiorio, dois importantes estudiosos de Leonardo) se reuniram nos laboratórios da National Gallery de Londres e, após minuciosas análises, autenticaram a obra. A técnica de observação por raios X permitiu a descoberta de diversos detalhes pintados e rejeitados pelo próprio pintor. Camadas inferiores foram recobertas e o desenho ligeiramente retocado. Tais elementos são típicos de Leonardo, e seria muito estranho encontrá-los numa cópia produzida por algum aluno.

Logo depois da mostra monográfica da obra de Leonardo realizada em 2011, o quadro foi adquirido por um bilionário russo por 75 milhões de dólares. Ele agora quer revende-lo. O próximo proprietário – todos torcem para que seja um museu – será decido no leilão de 15 de novembro.

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