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Ciro Gomes e parte do PDT iniciam campanha na velha forma: mentiras, agressões à imprensa e covardia que emula bolsonarismo

Após discurso repleto de platitudes (e algumas mentiras), Ciro Gomes e integrantes do PDT perdem a linha. Reproduzem métodos fascistas, tentam calar jornalistas

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(Foto: Divulgação)
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Luís Costa Pinto, do 247 – Enquanto o evento de lançamento da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República esteve sob controle do núcleo de marketing do PDT, tudo parecia correr bem na sede nacional da legenda. Num discurso centrado na “rebeldia” e na “esperança”, com a assinatura intelectual do jornalista e publicitário João Santana e lido em teleprompter pelo candidato, houve promessa de pôr fim ao teto de gastos e a voltar a controlar os preços da Petrobras; houve também ataque ao ex-juiz Sérgio Moro, acusado de parcialidade em sentenças exaradas contra o ex-presidente Lula – “não consegue transformar farsa em heroísmo”, disse Ciro do ex-ministro de Bolsonaro. E houve também mentiras descaradas. A maior delas, quando o candidato pedetista se autoproclamou, mais de uma vez, um dos responsáveis pelo Plano Real. Colocado no Ministério da Fazenda quando o Plano Real já havia sido elaborado e estava em execução, obrigado a renunciar ao Governo do Ceará para assumir o posto que estava entregue ao embaixador Rubens Ricupero em razão do vazamento de um diálogo privado do então ministro da Fazenda com o jornalista Carlos Monforte, da TV Globo, Ciro Gomes tinha um "controller" na secretaria-executiva do ministério. Clóvis Carvalho, que exercia o mesmo posto desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, ficou no cargo para não deixar o agora presidenciável pedetista fazer besteiras muito grandes.

Na entrevista, o descontrole total e os métodos bolsonaristas do PDT

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O descontrole dos pedetistas presentes à sede partidária no Setor de Autarquias Federais Sul de Brasília, e do candidato a presidente da sigla, revelou-se quando terminou o roteiro rascunhado por Santana e seguido pelo candidato. Um púlpito recepcionou os microfones da imprensa e suas canoplas. Ciro responderia a uma entrevista coletiva. Parecia estar leve e satisfeito com o lançamento de seu nome para a quarta eleição presidencial que disputará. Foi 3º em 1998, 4º em 2002, 3º em 2018. Cumprimentou alguns jornalistas com um olhar sorridente por trás da máscara e trocou um aperto de mão com um deles: comigo.

Conheço Ciro desde 1990. Como chefe da sucursal de Veja no Recife, que tinha por responsabilidade cobrir vários estados do Nordeste, entre eles o Ceará, testemunhei a conversão do então prefeito de Fortaleza em governador do estado sob as bênçãos de Tasso Jereissati. Construímos uma sólida relação entre fonte e repórter. Em 2002, atendendo a um convite de Jereissati, saí das redações dos veículos tradicionais e iniciei uma trajetória como analista e consultor de comunicação respondendo pela coordenação de imprensa da campanha presidencial do próprio Ciro, que disputou o pleito pelo PPS (hoje Cidadania).

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A segunda pergunta da entrevista coletiva coube ao Brasil 247 e à TV 247. Foi formulada no sentido de querer saber do candidato se a “rebeldia” dele seria exercida em 2022, “caso ocorra 2º turno”, da mesma forma que ele a exerceu em 2018, quando deixou de fazer uma aliança com outros partidos e personalidades de esquerda e viajou para Paris. No segundo turno de 2018, Ciro Gomes se ausentou do Brasil e se omitiu da luta política do mundo democrático contra a ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo. Ao escutar a questão, o pedetista parecia ter reencarnado o personagem pérfido e sem norte de 2002, quando, em dois momentos, pôs a perder uma campanha que podia ter sido bem-sucedida. Num deles, agrediu um ouvinte negro de uma rádio em Salvador. No outro, agrediu a então esposa, a atriz Patrícia Pillar, dizendo (numa tentativa de fazer piada mal formulada, misógina, soez) que o papel dela era central na disputa porque dormia com ele.

“Luís Costa Pinto”, começou Ciro em sua resposta. “Corria o Ano da Graça de 1985, e todos os democratas do Brasil entenderam que era necessário, para precipitar o fim da ditadura, irmos ao Colégio Eleitoral e eleger Tancredo Neves”, prosseguiu. E seria uma resposta extensa, com agressões ao ex-presidente Lula, do PT, a quem Ciro serviu como ministro da Integração Nacional. “O Lula se rebelou e expulsou a Bete Mendes e o Airton Soares do partido dele porque pelo gosto do Lula o Paulo Maluf teria ganhado a eleição no Colégio Eleitoral, o Brasil teria ido para o brejo mais brevemente e ele, com o projeto eterno de poder deles, teria precipitado a sua presença nacional”, disse.

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Em seguida, prosseguiu: “a TV 247 não vai publicar. Mas, corre uma sequência, nós derrubamos o Collor” (mentira. Nota do Autor: Fernando Collor de Mello foi impedido de seguir governando por decisão do Congresso Nacional a partir das revelações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito iniciada em razão de uma série de reportagens das revistas Veja e, depois, Istoé). Continua Ciro: “... e a óbvia consequência de Collor derrubado era o Itamar Franco. O Lula foi para a oposição e propôs o impeachment do Itamar Franco” (mentira. Nota do Autor. Lula nunca propôs o impeachment de Itamar. Ele não quis que o PT desse apoio formal ao governo. Contudo, participou inclusive de conversas preliminares da formação do Governo de Franco, aceitou o nome de José Serra como ministro da Fazenda – vetado por Orestes Quércia, presidente do PMDB – e pediu a manutenção de Adib Jatene no Ministério da Saúde, o que não foi aceito por Itamar). Segue Ciro: “...e ficou contra o Plano Real. Eu ajudei o Itamar Franco e ajudei o Real a acontecer (mentira: quando o hoje pedetista entrou no ministério da Fazenda, o Real já era moeda corrente havia três meses. Ele tentou seguir ministro da Fazenda com Fernando Henrique Cardoso e não realizou o sonho porque não tinha a confiança da equipe de economistas que elaborou o Plano Real). Prosseguiu Ferreira Gomes, sendo o Ferreira Gomes grandiloquente que o Ceará nunca deixou de conhecer: “Veio a eleição de 1989, e o único candidato que perdia para o Collor era o Luiz Inácio. O Covas ganhava, o Brizola ganhava… o Lula então se impôs” (mentira: Lula disputou o 1º turno da eleição e teve mais votos que os adversários, passando a ter o direito democrático de disputar o segundo turno. O mesmo direito que Ciro Gomes queria ter tido em 2018, disputou a eleição, e teve menos da metade dos votos do petista Fernando Haddad no 1º turno). Tem mais, nas palavras de Ciro Gomes: “... Lula se impôs e entregou o País ao Collor. E nós todos ajudamos o Lula! Depois, você sabe disso, eu ajudei o Lula em todas as eleições dele” (mentira: em 1994 ele estava no Ministério da Fazenda ajudando Fernando Henrique, que venceu em 1º turno. Em 1998, pleito também encerrado em apenas um turno, Ciro disputou contra Lula e contra FHC). Segue o tortuoso raciocínio de Ciro: “Mas, eu faço uma pergunta humilde: será que existiria o Bolsonaro se não fosse a contradição econômica, social e moral do Lula? É uma pergunta para a inteligência do povo brasileiro. Porque 70% do povo brasileiro votou no Bolsonaro em São Paulo, no Rio e em Minas Gerais. O mesmo povo que tinha dado a vitória a Dilma contra Aécio em Minas. Será que o povo brasileiro de São Paulo, do Rio, de Minas virou tudo fascista? Não, Luís, foi Lula. Então, veja, eu não posso ficar de novo sustentando a irresponsabilidade do Lula. A vida inteira eu avisei. A vida inteira! Nas eleições que você fala, 2018, recupere, por favor, em nome do jornalismo brasileiro, que tem um papel crítico muito importante para nossa Democracia… recuperem: todas as pesquisas demonstravam que eu ganhava de Bolsonaro no 2º turno. Todas as pesquisas demonstravam” (meia verdade: esse cenário só se configurou a partir do final de setembro, depois do episódio de Juiz de Fora).  Ciro Gomes ainda tinha o que falar, até partir para cima do Brasil 247 e da TV 247: “O que o Lula fez? Impõe uma candidatura mentirosa. O que todo mundo sabia? O Lula era inelegível! O Lula mentiu que era candidato, trava a disputa, e lança candidato depois não um petista vitorioso como Camilo (Santana, governador do Ceará), Jaques Wagner, não! Lançou o cara que tinha perdido um aninho antes (mentira: dois anos antes), com 16%, perdendo para nulo e branco, na Prefeitura de São Paulo" (mentira e agressão covardemente gratuita: Ciro Gomes e o PDT apoiaram Haddad na tentativa de reeleição. Gabriel Chalita, então no PDT, era o vice da chapa. Ciro esteve com Haddad em diversos eventos de campanha e, privadamente, dizia lamentar que estivesse pagando um preço enorme 'por tudo o que faziam' com Lula e Dilma Rousseff). Continuou, ainda: "...Na reeleição… será possível? Até quando nós vamos aguentar isso? Eu não sou obrigado, como cidadão… luto como posso, não tenho vida privada… luto para ajudar o Brasil. Agora, capricho de lulo-petismo, nunca mais" (mentira por omissão: Ciro recebeu o convite para ser vice de Lula, em 2018, no início da formação da chapa. Herdaria a candidatura, depois herdada por Haddad. O cearense recusou e prefiriu se lançar sozinho e tentar uma construção à direita. Esteve muito próximo de fechar uma aliança com o DEM. Depois da declaração de inelegibilidade de Lula em razão das sentenças parciais do então juiz Sérgio Moro, Ciro convidou Haddad para ser vice dele. Dizia que seria um 'dream team'. Aí, dada a natureza política da construção da candidatura de Fernando Haddad, que precisava ser um polo de reação ao massacre jurídico e institucional contra o ex-presidente e o PT, foi o ex-prefeito quem disse não). 

A partir desse ponto da coletiva, Ciro Gomes, ao cabo de um tortuoso raciocínio, deixou claro não apoiará Lula e que se rebelará contra uma união de siglas e personalidades de esquerda e de centro-esquerda em eventual 2º turno contra Bolsonaro também este ano. A partir de então, assestou as baterias contra a mídia alternativa e profissional. “A TV 247, Lula (referindo-se ao jornalista que o havia desequilibrado), desculpe, não é um veículo de imprensa. É um panfleto do Lula. Pago com dinheiro sujo”. Fora do eixo democrático, mas, dentro de seu padrão de comportamento, Ciro Gomes percebeu na hora o tamanho da mentira pérfida e da falsa acusação que fez. Virou de lado e impediu que o microfone fosse dado ao 247 para réplica. O Brasil 247 e a TV 247 são os maiores veículos da mídia independente. Leia, aqui, o posicionamento de nossa redação sobre os ataques do pedetista.

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Ao sinal do chefe, milícia de meganhas do PDT tenta intimidar jornalista do 247

Tão logo Ciro proferiu a coleção de aleivosias caluniosas e mentirosas contra o Brasil 247 e a TV 247, um homem trajando calça jeans e camisa branca, cerca de 1,83 metro, postou-se por trás do jornalista que havia perturbando o candidato do PDT com uma pergunta. De forma insidiosa, o militante pedetista passou a filmar o profissional e o que ele escrevia no aplicativo de mensagens do celular, aproximando-se e dizendo: “vai embora. Cumpriu seu papel. Sai”. Ouviu de volta, também ao ouvido, de forma firme: “vá à merda”. O repórter virou-se para o candidato, que tentava seguir a coletiva, contudo, ouviu outra determinação para deixar o espaço do PDT. Ao que reagi: “você não me conhece, vá à merda”. Em nome da minha própria segurança pessoal, estabeleci contato visual com Ciro Gomes e com seu assessor. Ambos perceberam do que se tratava e mandaram, com gestos, que o “miliciano pedetista’ se afastasse.Funcionou por meros 15 segundos. Dois outros “meganhas” da militância pedetista, um deles de vermelho, o outro de branco, postaram-se por trás do jornalista da TV 247 e do Brasil 247. Um à direita, outro à esquerda. Ambos sopraram-me ao ouvido uma determinação: “vaza. Cumpriu seu papel. Era isso o que você queria”. Receberam cotoveladas destinadas a demarcar o espaço entre eles e eu e procurei novo contato visual com o candidato. Não foi possível. Levantei os braços e virei para o senador Cid Gomes e para o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio: “Cid, Roberto, tirem os meganhas de vocês daqui”. Cid Gomes chegou junto de mim, perguntou o que se passava. Expliquei. Ele afastou os dois meliantes da cena do crime contra a imprensa, que já estavam cometendo, e pediu-me: “meganha, não. Um deles é meu assessor no Senado, professor universitário”, apelou. “Professor e meganha. É assim, usando métodos de Bolsonaro contra a imprensa, que vocês vão combater o bolsonarismo?”, ouviu de volta. Àquela altura a entrevista tinha sido encerrada brevemente. Virei de costas e me retirei do galpão onde deveria ter ocorrido o lançamento festivo da candidatura presidencial de Ciro Gomes. O “meganha” de vermelho seguiu-me até ao jardim da sede do PDT, onde tentou estabelecer uma briga física. Ao perceber que haveria reação e que não tinha a solidariedade de ninguém em volta dele, desistiu.

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