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Em reunião ministerial, Lula diz que o País não fará "política de vira-lata diante das grandes potências"

Presidente defende soberania, mantém diálogo com os EUA e confirma ida ao G7. O Brasil não será tratado como "republiqueta insignificante", disse Lula

Presidente Lula durante reunião ministerial (Foto: Ricado Stuckert / PR)
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247 – O presidente Lula cobrou respeito ao Brasil diante da nova ameaça de tarifa de 25% defendida pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros, e afirmou nesta quarta-feira (3), em Brasília (DF), que o governo manterá o diálogo com Washington sem abrir mão da soberania nacional.

"Esse país não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências", disse Lula na segunda reunião ministerial de 2026, acrescentando que o Brasil não é uma "republiqueta insignificante". "Nós somos muito grandes. Nós temos muita história, e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta semana", ressaltou o presidente.

Segundo Lula, "estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país". Em seu discurso, o presidente também defendeu o "fortalecimento do multilateralismo".

Negociações

O presidente Lula afirmou que o Brasil negocia com os EUA desde julho de 2025, quando Washington impôs as primeiras tarifas ao país. "Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. O que fizemos? Não fizemos bravata, não fizemos discurso. Resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos Estados Unidos, mas a outros países e ao povo americano, a insensatez da punição ao Brasil", recordou.

O presidente também lembrou o encontro que manteve com Donald Trump, atual presidente dos EUA, em Washington, no início de maio. Lula disse que, na ocasião, propôs um prazo de 30 dias para que representantes dos dois governos discutissem as tarifas ainda vigentes e tentassem construir um entendimento.

"Na última reunião, houve uma divergência entre o meu ministro da Indústria e Comércio, o meu ministro das Relações Exteriores e o ministro do Comércio deles. Propus ao Trump que, já que não havia acordo entre os dois ministros, déssemos 30 dias para que os dois se entendessem. Essa reunião ainda não concluiu nada", afirmou Lula.

"Por isso a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil. Saí de lá convencido de que estávamos estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles", acrescentou.

Reunião do G7

No evento, Lula confirmou que participará da reunião do G7, marcada para o dia 15, na França, após relatar surpresa com a postura do governo Donald Trump durante o prazo de 30 dias de conversas entre representantes dos dois países.

"Eu nem ia ao G7. Agora vou. Porque é preciso que alguém tente colocar ordem naquilo que está acontecendo: o desmonte do multilateralismo, o desmonte da democracia e a desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que vamos consertar o mundo. É fortalecendo a ONU", afirmou Lula.

O G7 reúne Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido. Lula também voltou a defender uma reformulação no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, em linha com sua crítica ao enfraquecimento das instâncias multilaterais.

Tarifaço e as investigações contra ações golpistas

As tentativas dos EUA de impor sanções à economia brasileira têm como motivação as condenações anunciadas pelo Supremo Tribunal Federal em apurações relacionadas a ações golpistas. 

No inquérito sobre o plano de golpe, a Corte condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão. No total, 29 pessoas receberam condenações. Na investigação sobre os atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023, o STF estabeleceu mais de 1,4 mil condenações. 

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