Oposição aciona PGR contra MEC por ofício que pede punição a atos políticos em universidades

A minoria na Câmara pede a revogação do ofício enviado pelo MEC às universidades. Segundo a representação, houve desvio de finalidade e abuso de poder

Ministro da Educação, Milton Ribeiro
Ministro da Educação, Milton Ribeiro (Foto: © Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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247 - O líder da minoria na Câmara dos Deputados, deputado federal José Guimarães (PT), enviou representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a apuração de responsabilidades do Ministério da Educação (MEC) pelo envio de ofício às universidades federais em que a pasta pede a tomada de providências para “prevenir e punir atos político-partidários nas instituições públicas federais de ensino".

A minoria na Câmara pede a revogação do ofício enviado pelo MEC às universidades. O pedido se baseia em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela inconstitucionalidade de atacar a liberdade de expressão de alunos e professores e de tentativas de impedir a propagação de ideologias ou pensamento dentro das universidades.

Segundo a representação, houve desvio de finalidade e abuso de poder por parte do MEC.

Bolsonaro abre processo contra professores universitários

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu um processo contra dois professores da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) que criticaram Jair Bolsonaro no Youtube e no Facebook. A representação contra os docentes, que assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi feita pelo deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS). No ano passado, a CGU elaborou um documento estabelecendo punições para os servidores públicos federais que utilizarem as redes sociais para criticar superiores hierárquicos ou órgãos que ocupam.

De acordo com o jornal O Globo, um dos professores alvos da CGU é o ex-reitor da Ufpel Pedro Hallal. Ele é crítico do posicionamento adotado por Bolsonaro no enfrentamento à pandemia de Covid-19 e se comprometeu a não repetir o ato novamente pelos próximos dois anos. O outro alvo da ação aberta pela CGU foi o professor Eraldo dos Santos Pinheiro.

“Conversei com os meus advogados e entendemos que esse era um desfecho adequado para nós, porque era um arquivamento sumário do processo. As acusações graves a própria CGU descartou”, disse Hallal. 

Segundo o Diário Oficial da União (DOU), os docentes teriam promovido, em janeiro. "manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao Presidente da República". A ação da CGU tem como base um artigo da lei 8.112 que veta o funcionalismo público de "promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição".

Ainda de acordo com a reportagem, o processo na CGU foi motivado por um comentário realizado durante uma transmissão ao vivo sobre a nomeação de Isabela Fernandes Andrade para o cargo de reitora da Ufpel. Ela foi escolhida por Jair Bolsonaro para chefiar a instituição apesar de ter sido a segunda mais votada na lista tríplice da comunidade acadêmica. 

“Quem tentou dar um golpe na comunidade foi o presidente da República, e eu digo presidente com "p" minúsculo. Nada disso estaria acontecendo se a população não tivesse votado em defensor de torturador, em alguém que diz que mulher não merecia ser estuprada ou no único chefe de Estado do mundo que defende a não vacinação da população”, disse Hallal na transmissão.

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