"Brasil é o país da hipocrisia", diz médico que interrompeu gravidez de menina de 10 anos sobre protestos

"A classe alta procura o aborto com maior frequência do que a classe desfavorecida. A defesa da vida é uma falácia", disse Olimpio Barbosa, do Cisam-UPE, sobre o protesto de evangélicos em frente ao hospital para tentar interromper a interrupção da gravidez

Segundo o médico Olimpio Barbosa, cerca de 50 interrupções de gravidez são feitas por ano no Cisam-UPE
Segundo o médico Olimpio Barbosa, cerca de 50 interrupções de gravidez são feitas por ano no Cisam-UPE (Foto: Reprodução/Globonews)
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247 - O médico Olímpio Barbosa, responsável pelo procedimento que interrompeu a gravidez de uma criança de 10 anos que foi estuprada pelo tio, reagiu com indignação à manifestação de bolsonaristas na porta do hospital, tentando impedir que o aborto, autorizado pela Justiça, fosse realizado. 

"Foi de tristeza, pessoas que defendem a vida chamando a criança de assassina, querendo fazer justiça dessa forma, logo em uma maternidade que acolhe mulheres em risco, fazendo barulho em um hospital com 104 mulheres internadas. Nunca passei por nada parecido", frisou o médico, em entrevista à Bandnews. 

A interrupção da gravidez aconteceu no último domingo, 16, no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam-UPE), em Recife, que é referência estadual nesse tipo de procedimento.

Segundo o médico, cerca de 50 interrupções de gravidez são feitas por ano no Cisam-UPE e é comum meninas de 11 a 12 anos procurarem assistência médica para uma gravidez vinda de uma violência sexual. "O mais importante é que ela não queria, foi torturada, obrigar uma criança a ter uma gravidez forçada é um absurdo", disse.

O médico Olímpio Barbosa disse também que há uma "hipocrisia" no assunto de interromper gestações vindas de estupros. "A classe alta procura o aborto com maior frequência do que a classe desfavorecida. O Brasil é o país da hipocrisia. A defesa da vida é uma falácia. Se consideram que o embrião tem vida, deveriam estar nas portas das clínicas de reprodução humana, que descartam milhares de embriões", pontuou.

Assista à entrevista de Olímpio Barbosa à Bandnews:

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