Ciro Nogueira disse que renunciaria se aparecesse no caso Master (vídeo)
Declaração de Ciro Nogueira sobre renúncia volta a circular após senador ser alvo da PF na Operação Compliance Zero
247 - O senador Ciro Nogueira (PP-PI) voltou ao centro do noticiário político nacional após ser alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (7). Em meio aos novos desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master, uma declaração do parlamentar passou a viralizar nas redes sociais, na qual ele afirma que renunciaria ao mandato caso surgisse alguma denúncia comprovada contra ele relacionada ao caso.
Em entrevista resgatada por perfis nas redes sociais, Ciro Nogueira afirmou: “Conheço todos os grandes empresários deste país. Sou convidado para jantares, palestras, encontros. Agora, o CPF dele é um, o meu é outro. O que vai nortear a minha trajetória de vida é a minha história. E pode ter toda a certeza, que o povo do Piauí, se surgir algum dia na vida alguma denúncia que seja comprovada contra o senador Ciro, eu renuncio o meu mandato. Eu jamais vou voltar ao meu estado [Piauí] e olhar o povo da minha terra, olho no olho, se eu não tiver a autoridade e a confiança dele”.
Assista:
A fala voltou à tona justamente no momento em que o senador é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A operação apura movimentações financeiras suspeitas, supostos pagamentos mensais ao parlamentar e possíveis favorecimentos legislativos em benefício da instituição financeira.
Operação investiga repasses milionários
Segundo as investigações da PF, Ciro Nogueira teria recebido repasses mensais que chegavam a R$ 500 mil. Os investigadores identificaram, no celular de Daniel Vorcaro, mensagens e registros de pagamentos destinados a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. Em conversas analisadas pela Polícia Federal, o banqueiro se referia ao senador como um “grande amigo de vida”.
As apurações também apontam que Vorcaro comemorava iniciativas legislativas apresentadas por Ciro Nogueira que poderiam beneficiar diretamente o Banco Master. Entre os episódios analisados está uma emenda apresentada à PEC da autonomia financeira do Banco Central, em agosto de 2024, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.
No mercado financeiro e nos bastidores políticos, a proposta foi interpretada como uma medida que favoreceria especialmente o Banco Master, que buscava ampliar investimentos em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). A PF investiga se houve contrapartidas financeiras relacionadas a essas iniciativas parlamentares.
PF aponta suspeita de propina e lavagem de dinheiro
Outra frente da investigação apura uma suposta operação de pagamento de propina ao senador que teria movimentado cerca de R$ 18 milhões. A Polícia Federal suspeita que parte dos recursos tenha sido transferida por meio de depósitos periódicos em contas de empresas ligadas a Ciro Nogueira.
Além disso, os investigadores analisam a compra de participação em uma empresa associada ao grupo Master. De acordo com a PF, a negociação teria ocorrido por um valor abaixo do preço real de mercado, o que levantou suspeitas de que o deságio teria sido utilizado como mecanismo para ocultar pagamentos ilícitos.
A investigação também cita a participação de Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, apontado como um dos responsáveis pela operacionalização dos supostos repasses. Felipe foi preso nesta quinta-feira (7) durante a nova fase da Operação Compliance Zero. Ele já havia sido alvo de buscas e apreensões em etapas anteriores da operação.
Mandados, bloqueios e decisão do STF
A quinta fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Policiais federais cumpriram um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
A decisão do STF também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões. Segundo a PF, a nova etapa da operação busca aprofundar investigações sobre corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A ofensiva ocorre na mesma semana em que a defesa de Daniel Vorcaro apresentou uma proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Até o momento, o acordo segue em análise e não possui valor probatório formal.
Defesa do senador reage às acusações
Em nota divulgada nesta quinta-feira, a defesa de Ciro Nogueira afirmou repudiar “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo a atuação parlamentar do senador. Os advogados também disseram que o parlamentar está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
“A defesa reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”, afirma o texto.
Os advogados também criticaram a adoção de medidas cautelares com base em “mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros”, argumentando que decisões dessa natureza “merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade”. A nota é assinada pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
Operação já levou à prisão de dirigentes do BRB
A Operação Compliance Zero já teve desdobramentos expressivos nas fases anteriores. Em abril deste ano, durante a quarta etapa da investigação, a Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema investigado.
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, está preso desde março. Ao longo das quatro primeiras fases da operação, a PF cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em diferentes estados do país.
As investigações também resultaram no bloqueio e sequestro de bens patrimoniais que somam R$ 27,7 bilhões, além do afastamento de investigados de cargos públicos. Enquanto o caso avança, a declaração antiga de Ciro Nogueira prometendo renunciar ao mandato caso surgisse uma denúncia comprovada contra ele voltou a ganhar forte repercussão política e nas redes sociais.


