HOME > Nordeste

Família toma decisão após ANP indicar "espanto" com líquido encontrado no local

O agricultor Sidrônio Moreira, dono do terreno localizado no Sítio Baixa do Juazeiro, na zona rural de Tabuleiro do Norte, passou a receber propostas

Testes indicaram que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades semelhantes às do petróleo extraído em terra na Bacia Potiguar  (Foto: IFCE)

247 - A descoberta de uma substância escura com características semelhantes ao petróleo em uma propriedade rural no interior do Ceará despertou interesse comercial, mas os proprietários descartam, por ora, qualquer negociação. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil, com base em relatos da família e de órgãos envolvidos na apuração do caso.

O agricultor Sidrônio Moreira, dono do terreno localizado no Sítio Baixa do Juazeiro, na zona rural de Tabuleiro do Norte, passou a receber propostas após a identificação do material em dois poços perfurados na propriedade. Apesar disso, a família afirma que pretende manter a posse da área.“Não temos interesse em vender. Apareceram algumas propostas, mas nada oficial”, afirmou Saullo Santiago, filho do agricultor, ao comentar a repercussão do caso.

A área, de aproximadamente 49 hectares, foi herdada por Sidrônio de seu pai e é onde ele vive com a esposa e os dois filhos. O sítio fica a cerca de 22 quilômetros do centro do município, em uma região do Sertão cearense marcada por dificuldades históricas no acesso à água.

A descoberta ocorreu em novembro de 2024, quando o agricultor iniciou a perfuração do solo com o objetivo de encontrar água para abastecimento da propriedade. No entanto, durante o processo, emergiu um líquido escuro, viscoso e com odor forte, o que levou à suspensão imediata dos trabalhos.

Segundo a família, o material foi identificado em dois pontos distintos, antes mesmo de atingir o lençol freático, o que aumentou a suspeita sobre sua natureza. Diante da situação, o caso foi comunicado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em julho de 2025.

Após meses de espera, a ANP respondeu em fevereiro de 2026 e enviou uma equipe técnica ao local. Na última quinta-feira (12), amostras da substância foram coletadas para análise laboratorial, que deverá determinar se o material é, de fato, petróleo ou outro composto.

O superintendente da ANP, Ildeson Prates Bastos, explicou que, embora existam casos naturais de petróleo ou hidrocarbonetos que chegam à superfície, o cenário observado no sítio não se enquadra nessa situação."Existe o processo de exsudação, que é quando o petróleo ou hidrocarboneto como um todo vai à superfície de maneira natural. Mas não é o caso, claramente, aqui. Houve uma perfuração, uma perfuração rasa, uma profundidade muito abaixo do que é naturalmente realizado na exploração e produção de petróleo e gás".

Segundo o superintendente da ANP, a localização geológica da propriedade pode ajudar a explicar a presença da substância."Isso nos causou um pouco de espanto, mas considerando a área e a geologia da região, sendo uma borda de bacia, a gente pretende dar continuidade aos estudos para entender melhor o que pode ter acontecido. E, a partir de um relatório, a gente conseguir se manifestar mais assertivamente".

A ação contou também com a participação da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace). Durante a vistoria, técnicos ouviram os moradores, levantaram informações sobre as perfurações e orientaram que os poços permaneçam isolados até a conclusão das investigações.

Enquanto aguardam o resultado oficial, os proprietários optaram por não realizar novas perfurações. A decisão leva em conta tanto o receio de encontrar novamente o material quanto a necessidade de aguardar orientações das autoridades.“Além do medo de furar e sair o mesmo líquido, estamos esperando o desenrolar dessa história”, explicou Saullo.

Nos últimos dias, as chuvas na região aliviaram temporariamente a escassez de água enfrentada pela família, reduzindo a urgência por novas tentativas de perfuração. Ainda assim, o desfecho da análise da ANP é aguardado com expectativa, já que pode redefinir o futuro da propriedade e seu potencial econômico.