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Acusação diz que Monique permitiu tortura do filho no caso Henry Borel

Julgamento no Rio de Janeiro começa com embate entre defesa e acusação sobre responsabilidade pela morte da criança

Monique Medeiros da Costa e Silva (Foto: Reprodução/Sistema Prisional Rio)

247 - O julgamento do caso envolvendo a morte do menino Henry Borel teve início nesta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro, com declarações contundentes da assistência de acusação contra os réus. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

Durante o primeiro dia de júri, o advogado de acusação, Cristiano Medina, afirmou que Monique Medeiros teria permitido que o então companheiro, Jairo Souza Santos Júnior, torturasse o menino em ao menos três ocasiões no mês de fevereiro de 2021.

Segundo Medina, a mãe da vítima tinha conhecimento das agressões e optou por não agir para proteger o filho. “Monique permitiu tortura”, declarou o advogado, sustentando que ela teria abdicado do papel de proteção materna para manter um estilo de vida ao lado do então namorado.

A acusação também apontou que Monique teria manipulado familiares e funcionários com o objetivo de evitar interferências externas e esconder a realidade vivida pela criança. O advogado afirmou ainda que poderá solicitar a nomeação da Defensoria Pública caso a defesa abandone o plenário como estratégia para adiar o julgamento.

Do outro lado, a defesa de Monique sustenta que ela vivia um relacionamento abusivo e que também seria vítima de Jairinho. Já os advogados do ex-vereador alegaram falta de acesso completo às provas do processo e pediram o adiamento da sessão, argumentando que o júri precisaria de mais tempo para analisar os laudos médicos.

O julgamento ocorre no II Tribunal do Júri da capital fluminense, onde os dois réus respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. O caso é considerado um dos mais emblemáticos dos últimos anos no país.

O crime aconteceu na madrugada de 8 de março de 2021, na Barra da Tijuca. Inicialmente, o casal alegou que a criança havia sofrido um acidente doméstico após cair da cama. No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal descartou essa versão ao identificar 23 lesões no corpo do menino.

A causa da morte foi apontada como hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente. As investigações da Polícia Civil indicaram que a vítima era submetida a uma rotina de agressões, atribuídas ao padrasto com o conhecimento da mãe.

A repercussão do caso levou à criação da chamada Lei Henry Borel, que endureceu punições para crimes cometidos contra menores de 14 anos, classificando o homicídio nessa faixa etária como hediondo. O julgamento segue com expectativa de novos depoimentos e apresentação de provas nos próximos dias.