Ainda abalada, Sâmia diz que não acreditou inicialmente em assassinato "por engano" do irmão

Deputada também mencionou "negligência imensa" do estado do Rio de Janeiro sobre o caso, explicou motivos para pedir licença da Câmara e falou sobre retorno à atividade parlamentar

A deputada federal Sâmia Bomfim e os médicos alvos de atentado no Rio de Janeiro
A deputada federal Sâmia Bomfim e os médicos alvos de atentado no Rio de Janeiro (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados | Reprodução)


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247 - A deputada federal Sâmia Bomfim retornou à atividade parlamentar nesta segunda-feira (27), após um período de licença por recomendação médica devido ao luto pelo brutal assassinato de seu irmão Diego Bomfim, de 35 anos. Em sua volta à Câmara, ela concedeu uma entrevista à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, e falou sobre sua tristeza pelo acontecimento e seu retorno ao trabalho no Congresso.

A deputada revelou que, de início, não acreditou na investigação da Polícia Federal que apontou que o assassinato de Diego ocorreu por engano. Os policiais apuraram que uma das vítimas do atentado a tiros no Rio de Janeiro, Perseu Almeida, um dos colegas médicos do irmão de Sâmia, foi confundido com o miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa - alvo de outro grupo de milicianos da cidade.

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"Minha primeira reação foi não acreditar quando vi a informação de que seria uma morte por engano. São muitas coincidências: além de ser irmão de uma deputada, também é cunhado de um deputado no Rio de Janeiro [Glauber Braga, do PSOL, marido de Sâmia]", disse Sâmia. "É natural que haja essa desconfiança, há um trauma social imenso no Brasil em função da não resolução do assassinato da Marielle [Franco, ex-vereadora, morta em 2018], também no Rio de Janeiro, feito pelas milícias", acrescentou.

A parlamentar, no entanto, afirmou que o andamento das investigações fez ela mudar de ideia: "não houve nenhum indício de ter sido uma execução política. Pelo menos, não em stricto sensu, porque de alguma forma foi político. É uma disputa territorial entre grupos organizados com controle armado por territórios do Rio de Janeiro. Isso é muito político. E aí, meu irmão e os outros dois médicos acabam, por engano, sendo atingidos".

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Sâmia também falou em negligência "imensa" do hospital que cuidou de Diego, além da polícia carioca e do próprio estado do Rio de Janeiro. "Eu e minha família soubemos através da imprensa, e a família dos demais [assassinados] também. Uma notícia dessas você não dá dessa forma. Até agora, na verdade, as respostas mínimas que a gente tem é porque fomos atrás. Nunca fomos buscados pelo estado do Rio", lamentou.

Por fim, a deputada falou sobre sua licença de cerca de dois meses na Câmara após o incidente: "foi uma decisão que precisei tomar por recomendação médica, e também porque precisava cuidar da minha família. Saúde mental é uma coisa muito séria, e, desde que iniciei minha atuação na política institucional, eu nunca tinha parado por questões particulares ou emocionais. Agora, decidi retornar por uma necessidade política mesmo. Trabalhar tem um efeito terapêutico, porque você se coloca em movimento, faz coisas em que acredita".

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