Alunos acham caramujo em comida durante greve na USP
De acordo com os alunos, a situação no bandejão da USP Leste não seria um caso isolado
247- Estudantes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, a EACH-USP, na zona leste da capital paulista, relataram ter encontrado um caramujo na comida servida pelo Restaurante Universitário em meio às negociações da greve que atinge a instituição.As informações foram publicadas por Julia Gandra, no Metrópoles, nesta quinta-feira, 1º de maio de 2026. Segundo a reportagem, o episódio ocorreu no mesmo dia em que estudantes e reitoria participaram de uma nova mesa de negociação sobre a paralisação, iniciada em 14 de abril.
De acordo com os alunos, a situação no bandejão da USP Leste não seria um caso isolado. Estudantes afirmam que já houve outras queixas sobre a qualidade das refeições, incluindo relatos de insetos e alimentos em condições inadequadas.Ao Metrópoles, um estudante que preferiu não se identificar disse que foi almoçar no Restaurante Universitário no dia da segunda mesa de negociação da greve e encontrou um caramujo no meio da comida. O caso passou a ser citado por alunos como exemplo das condições que motivam parte das reivindicações do movimento.Impasse sobre permanência estudantil.
A greve na USP tem como um dos pontos centrais a política de permanência estudantil. O principal foco das negociações é o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, o PAPFE, voltado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.Segundo estudantes envolvidos nas negociações, a proposta apresentada pela universidade prevê reajuste de R$ 27 no auxílio. O valor passaria de R$ 885 para R$ 912, quantia considerada insuficiente pelo movimento estudantil.
Para os alunos, o reajuste não responde às dificuldades enfrentadas por estudantes que dependem do benefício para alimentação, transporte, moradia e continuidade dos estudos. A reivindicação do movimento é elevar o auxílio ao patamar de um salário mínimo paulista.Um dos estudantes ouvidos pela reportagem relacionou a denúncia sobre a comida à proposta feita pela universidade.
“No mesmo dia em que aparece um caramujo na comida, a proposta para os estudantes é de apenas R$27 para encerrar a greve”, afirma.Negociações seguem sem acordo.A reunião realizada na noite de quinta-feira, 30 de abril, terminou sem acordo entre estudantes e reitoria. As partes voltaram a discutir os termos para encerrar a paralisação, mas o impasse financeiro em torno do auxílio estudantil permanece.
Até o momento, não há previsão de solução para a greve. Segundo os relatos de estudantes, as conversas devem continuar nos próximos dias, com novas discussões sobre permanência, qualidade dos serviços universitários e condições de estudo.A paralisação começou em 14 de abril como apoio ao movimento de servidores e também como protesto por melhorias nas políticas de permanência estudantil. Ao todo, 105 cursos aderiram à greve em diferentes unidades da USP.A mobilização envolve unidades do campus do Butantã, na zona oeste de São Paulo, da EACH, na zona leste, do Largo São Francisco, do Quadrilátero da Saúde, no centro, além de unidades localizadas no interior do estado.Reivindicações incluem bandejões e espaços estudantis.Além do aumento do auxílio, estudantes cobram melhora na qualidade dos restaurantes universitários, garantia de espaços estudantis e o fim de processos de privatização dentro da universidade.
O movimento também reivindica isonomia nas políticas de valorização praticadas pela USP. Alunos apontam diferenças entre reajustes destinados a docentes, servidores e estudantes, e defendem que as políticas de permanência recebam tratamento prioritário.A denúncia envolvendo o caramujo no Restaurante Universitário da EACH-USP reforçou a pressão sobre a universidade em relação à alimentação oferecida aos estudantes. Para o movimento, a qualidade dos bandejões é parte essencial da permanência estudantil, especialmente para alunos em situação de vulnerabilidade.Histórico de reclamações no RU da USP Leste.O episódio relatado pelos alunos ocorre em meio a um histórico de queixas sobre o Restaurante Universitário da USP Leste. O Metrópoles já havia noticiado denúncias anteriores envolvendo a qualidade da alimentação servida no local.
Segundo estudantes, as reclamações incluem presença de insetos e alimentos estragados. As denúncias passaram a integrar o debate sobre as condições oferecidas pela universidade para garantir a permanência de alunos de baixa renda.Com a greve ainda sem acordo, o caso do caramujo no bandejão tornou-se mais um elemento de tensão entre estudantes e reitoria. As negociações seguem concentradas no reajuste do auxílio, na melhoria dos restaurantes universitários e nas medidas necessárias para assegurar condições adequadas de permanência na USP.