Amiga de Taina, arrastada por carro na Marginal, morre vítima de feminicídio em SP
A vítima, uma jovem de 22 anos, era próxima de Tainara Souza Santos
247 - A morte de Priscila Versão, de 22 anos, vítima de espancamento na Zona Norte de São Paulo, é investigada pela Polícia Civil como feminicídio. A jovem, mãe de três crianças, teria sido agredida pelo próprio companheiro após sair de uma festa na madrugada de segunda-feira (23). As informações foram divulgadas inicialmente pela TV Globo, em reportagem do jornalista Lucas Jozino.Segundo familiares, Priscila vivia um relacionamento marcado por violência e episódios anteriores de agressão.
O companheiro dela, Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, foi preso em flagrante e deverá responder pelo crime de feminicídio. Até a última atualização do caso, a defesa do suspeito não havia sido localizada.A jovem era amiga de Tainara Souza Santos, mulher que morreu em dezembro após ter as pernas amputadas em consequência de um atropelamento seguido de arrastamento que causou grande repercussão nacional. As duas moravam no mesmo bairro, na região da Brasilândia.
elato da mãe expõe ciclo de violência
Em entrevista, emocionada, a mãe da vítima, Selma Alves Ribeiro da Silva, descreveu o histórico de sofrimento da filha dentro do relacionamento e afirmou que já havia tentado ajudá-la a sair da situação."Ela era guerreira, lutava pela felicidade dela e dos filhos. Só que, infelizmente, [...] ela estava dentro de um relacionamento abusivo e tóxico. Ela estava doente emocionalmente e eu lutei com todas as minhas forças, fiz o que eu pude e o que eu não pude. Fiz de tudo para ela sair desse relacionamento"Segundo Selma, episódios de agressão já haviam ocorrido ao longo dos cinco anos de relacionamento do casal. A mãe relatou a dor diante da perda e o impacto emocional provocado pelo crime.
"Dentro de cinco anos que ela ficou com ele, tiveram outras vezes. Quando um homem bate em uma mulher, ele não está batendo só nela, ele está batendo na mãe dela. Meu coração está despedaçado. Eu sei que ela não vai voltar mais"Priscila trabalhava como autônoma e deixa três filhos pequenos, de seis anos, quatro anos e apenas seis meses de idade. A avó das crianças afirma agora enfrentar dificuldades financeiras e emocionais para assumir sozinha a criação dos netos.
"Acabou para mim, não acredito em mais nada, não quero fazer mais nada, não vai ter como eu fazer mais nada. Não vai ter como eu trabalhar de dia ou como entrar em uma empresa de noite, porque eu tenho que cuidar dos filhinhos dela. Estou de mãos atadas. Ele vai se arrepender do que ele fez"
Dinâmica do crime
De acordo com familiares e registros policiais, o casal participava de uma festa em um bar localizado na Avenida Júlio Bueno, no Jardim Brasil, também na Zona Norte da capital paulista. A agressão teria ocorrido dentro do carro, por volta das 4h30 da madrugada.
Priscila foi levada pelo próprio companheiro ao Hospital Municipal Vereador José Storopoli, no Parque Novo Mundo, já sem sinais vitais. O guia de encaminhamento médico apontou marcas de agressão, hematomas, escoriações pelo corpo, sangramento nasal e odor de gasolina nas roupas da vítima.
Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito chegou ao hospital ameaçando atear fogo ao próprio corpo. Posteriormente, afirmou aos policiais que o casal havia discutido durante um pagode e que ele teria comprado gasolina em um posto de combustível com intenção de suicídio, mas desistiu.
Ainda conforme o relato registrado, ele declarou que voltou ao local da festa e encontrou Priscila caída no chão, levando-a então ao hospital. A versão apresentada será confrontada com laudos periciais, imagens e depoimentos de testemunhas durante a investigação.
Feminicídios em sequência acendem alerta
O assassinato ocorre em meio a uma sequência de casos de feminicídio registrados em São Paulo em menos de 24 horas, cenário que reforça o alerta das autoridades e especialistas sobre o avanço da violência doméstica e de gênero.Investigadores destacam que o histórico de agressões anteriores é um elemento determinante para a tipificação do feminicídio, crime caracterizado quando a morte ocorre em contexto de violência doméstica, menosprezo ou discriminação contra a mulher.


