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Butantan adia envio de dados da CoronaVac à Anvisa e promessa de Doria de vacinação em 25 de janeiro não deve ser cumprida

O Instituto Butantan adiou para a próxima semana envio do resultado dos testes da vacina CoronaVac no Brasil à Anvisa, o que pode impactar na data de início para o plano de vacinação no estado de São Paulo. Doria havia prometido iniciar em 25 de janeiro

Fachada do Instituto Butantan, vacina CoronaVac, Bolsonaro e Doria (Foto: USP Imagens | Reuters | PR | GOVSP)

247 - O Instituto Butantan adiou para o dia 23 de dezembro o envio do resultado dos testes da vacina CoronaVac no Brasil à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os documentos seriam enviados até esta terça-feira (15), de acordo com as previsões iniciais. A medida do instituto pode impactar na data de início para o plano de vacinação no estado de São Paulo. João Doria (PSDB) anunciou para 25 de janeiro o começo da imunização. A CoronaVac está na terceira fase de testes, estágio em que a Anvisa precisa aprovar a eficácia da vacina. A ideia de autoridades federais é fornecer 46 milhões para todo o Brasil, que ocupa o segundo (181 mil) e o terceiro (16,7 milhões) no ranking global de mortes e casos da pandemia.

Ainda não há informações os motivos da alteração do cronograma, mas a iniciativa ocorre em meio a uma polêmica. O governo anunciou nesse final de semana o plano de vacinação contra a pandemia. No entanto, pesquisadores citados no documento apontaram uso indevido dos seus nomes e afirmaram que não foram consultados previamente.

Ao comentar sobre a iniciativa do instituto, o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, disse à GloboNews, nesta segunda-feira (14), que, "às vezes o tempo da definição estatística, da tabulação desses dados precisam ser respeitados para que tenha uma apresentação melhor". 

"É muito ruim pra qualquer laboratório apresentar para uma agencia regulatória, qualquer que seja, no caso aqui é a Anvisa, dados incompletos, inconsistentes, dados que, eventualmente, não permitam a aprovação de um produto", afirmou.

O governo de São Paulo pretende fornecer 4 milhões das 46 milhões de doses para vacinar profissionais da área da saúde de outras regiões do país.

"Com relação a volumes, o plano estadual, juntamente com essas 4 milhões de doses, totalizam, de janeiro a março, 23 milhões de doses", afirmou o diretor do Butantan, Dimas Covas. "Nós temos 46 milhões. Então, nós estamos trabalhando esta primeira fase já prevendo a segunda fase e, eventualmente, a terceira fase", disse.

"Temos, já em negociação, por autorização do governador, mais 15 milhões de doses e devemos formalizar muito brevemente. Do ponto de vista quantitativo e de capacidade de produção, estamos plenamente aptos para atender essa primeira fase da vacinação", complementou. 

Atualmente, o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking global de casos de coronavírus (7 milhões), atrás de Índia (9,8 milhões) e Estados Unidos (16,7 milhões). O governo brasileiro também contabiliza o segundo maior número de mortes (181 mil) - neste dado os EUA também ficam na primeira colocação  (306 mil).