Caso Ed Motta: vítima atingida por garrafa cobra punição
Polícia investiga confusão em restaurante no Jardim Botânico após cliente ser atingido por garrafa e sofrer ferimentos na cabeça
247 - A defesa do cliente ferido durante a confusão envolvendo o cantor Ed Motta no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, afirmou nesta sexta-feira que recebeu o caso com “total indignação” e cobrou providências rigorosas das autoridades. O episódio, revelado inicialmente pelo jornal O Globo, é investigado pela 15ª DP (Gávea), que deve intimar os envolvidos para prestar depoimento na próxima semana.
Segundo os advogados da vítima, um homem de 28 anos, o cliente foi agredido enquanto estava sentado no restaurante e acabou atingido na cabeça por uma garrafa de vidro lançada pelas costas. A defesa classificou a ação como um “ato covarde” e informou que acompanha o andamento das investigações para que os responsáveis sejam punidos.
“Com total indignação pelo fato, a equipe jurídica do cliente agredido informa que está pedindo providências rigorosas às autoridades policiais. Durante a situação que se instaurava no restaurante por terceiros, o cliente foi covardemente agredido com um soco enquanto estava sentado. Em seguida, foi atingido de costas por uma garrafa atirada por um dos integrantes do grupo enquanto se retirava do local. O ato covarde, por sorte, resultou em apenas seis pontos cirúrgicos na cabeça. Todo o processo legal está sendo conduzido para que a justiça defina a pena indicada”, declarou a defesa em nota.
Investigação aponta autor da agressão
De acordo com as investigações, o homem apontado como responsável pelos socos e pelo arremesso da garrafa é o advogado Nicholas Guedes Coppim. Ele estava na mesa ao lado de Ed Motta e de Diogo Coutinho do Couto, proprietário dos restaurantes Escama e Quinta da Henriqueta. O grupo ainda era composto por duas mulheres e outro homem.
Após a agressão, a vítima procurou atendimento no Hospital Samaritano, em Botafogo, onde recebeu seis pontos na cabeça. Depois, registrou ocorrência na delegacia da Gávea.
Em depoimento à polícia, o cliente contou que jantava com familiares e amigos na madrugada de sábado para domingo quando começou a confusão. Segundo ele, Ed Motta teria se levantado da mesa vizinha, derrubado uma cadeira próxima ao grupo da vítima e deixado o local. A partir daí, iniciou-se uma discussão entre os frequentadores das duas mesas.
Vítima relata soco e garrafa lançada pelas costas
Ainda segundo o depoimento, um homem com sotaque português se aproximou e deu um soco no rosto da vítima, que afirmou não ter reagido. Ao decidir deixar o restaurante, o cliente foi atingido na cabeça por uma garrafa de vidro lançada pelas costas.
O relato aponta que o objeto acertou o lado esquerdo da cabeça da vítima, provocando sangramento imediato. Em seguida, os envolvidos deixaram o estabelecimento antes da chegada da polícia.
O caso ganhou repercussão após os proprietários do Grado, o chef Nello Garaventa e sua mulher, Lara Atamian, divulgarem uma nota detalhando a sequência de agressões ocorridas no restaurante.
Donos do restaurante relatam violência e intimidação
No comunicado, os empresários afirmam que o grupo protagonizou “episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias” contra funcionários e clientes do restaurante.
Segundo o texto, o desentendimento começou após a negativa do estabelecimento em conceder cortesia na taxa de rolha — cobrança feita para servir vinhos levados pelos próprios clientes. Ainda de acordo com os proprietários, integrantes do grupo passaram a dirigir ofensas à equipe do restaurante.
“As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada. Funcionários foram publicamente expostos ao ridículo, sem possibilidade de resposta”, afirmaram Garaventa e Atamian.
O comunicado também relata que uma cadeira teria sido arremessada contra um garçom que estava de costas e que um cliente foi atingido por uma garrafa de vinho tamanho magnum na cabeça enquanto deixava o local.
Ed Motta admite excesso, mas contesta versão
Em entrevista por telefone a O Globo, Ed Motta reconheceu que perdeu o controle durante a noite, mas negou ter atacado funcionários do restaurante.
“Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso”, declarou o cantor.
Ed Motta também afirmou que deixou o restaurante logo após derrubar a cadeira e que não presenciou o agravamento da confusão. “Após jogar a cadeira no chão, deixei o restaurante”, acrescentou.
Os donos do Grado disseram que seguem oferecendo suporte jurídico e assistencial aos funcionários afetados e afirmaram que vão buscar a responsabilização dos envolvidos. “Nossa obrigação é proteger nossa casa, nossa equipe e nossos clientes”, concluiu a nota divulgada pelo casal.

