Caso Gisele: tenente-coronel red pill contrata perito particular e segue tese de suicídio da esposa
O crime ocorreu em 18 de fevereiro, em um apartamento no bairro do Brás, na região central de São Paulo
247 - A Justiça autorizou que um perito indicado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acompanhe a produção de provas no processo que investiga a morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O caso é tratado como feminicídio, e o oficial segue preso.
A decisão permite que o especialista atue como assistente técnico da defesa, participando das perícias oficiais, sugerindo análises e apresentando pareceres próprios. Embora não substitua o trabalho dos peritos do Estado, a medida abre caminho para uma leitura paralela das evidências em um caso considerado complexo.
O crime ocorreu em 18 de fevereiro, em um apartamento no bairro do Brás, na região central de São Paulo. A policial foi encontrada com um tiro na cabeça, e desde então a investigação reúne elementos que levantam dúvidas sobre a dinâmica dos fatos.
A entrada do perito particular Fabiano Abucarub ocorre em um momento decisivo, em que laudos técnicos são apontados como fundamentais para esclarecer o caso. Ele poderá acompanhar exames, propor questionamentos e elaborar relatórios que podem ser utilizados pela defesa.
Um dos principais pontos da investigação envolve a recuperação de mensagens apagadas do celular da vítima. Segundo a perícia, conversas deletadas teriam sido restauradas e passaram a integrar o processo. Nos diálogos, Gisele Alves Santana mencionava o desejo de se separar e indicava desgaste no relacionamento.
Em uma das mensagens, ela afirma que o marido poderia “pedir”, em referência à separação, o que contraria a versão inicial apresentada pelo oficial sobre a estabilidade do casamento. A defesa sustenta que a policial teria cometido suicídio após não aceitar o fim da relação.
Além dos elementos técnicos, o inquérito também expõe aspectos do comportamento e do perfil do oficial. Em trechos do relatório policial citado na denúncia, Geraldo Leite Rosa Neto faz declarações que chamaram a atenção dos investigadores.
Após a vítima afirmar que o via como um príncipe, ele respondeu: “Sou mais que um príncipe, Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano...”.
Ainda segundo o relatório, o oficial reforçava constantemente que era responsável financeiro pela companheira, destacando que pagava todas as contas e se colocava como provedor da casa.
Em depoimento, ele também enfatizou aspectos de sua vida íntima, afirmando: “tenho a testosterona de um jovem de 16 anos, não posso ficar sem sexo”.
Essas declarações passaram a integrar o conjunto de elementos analisados no inquérito, que busca compreender não apenas a dinâmica do crime, mas também o contexto do relacionamento entre o casal.
Outro eixo da investigação são as contradições apontadas no depoimento do oficial. De acordo com informações encaminhadas à Justiça, há divergências entre sua versão e os vestígios técnicos coletados, incluindo a dinâmica do disparo, a movimentação no imóvel e seu comportamento após o ocorrido.
Essas inconsistências vêm sendo confrontadas com laudos periciais, imagens e outros elementos reunidos pelos investigadores, considerados essenciais para a reconstituição dos fatos.
A defesa do tenente-coronel não se manifestou até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto.

