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Confira as mensagens que foram recuperadas do celular de Gisele pela perícia após tenente-coronel tentar apagá-las

O laudo, concluído na quarta-feira (25), indica que as conversas foram recuperadas por meio de procedimentos técnicos

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto quebrou o silêncio e falou pela primeira vez publicamente sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves (Foto: Reprodução)

247 - A perícia técnica no celular da soldado Gisele Alves Santana revelou que mensagens trocadas com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, teriam sido apagadas no dia anterior à morte da vítima. O caso, ocorrido em 18 de fevereiro, é investigado como feminicídio. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.

O laudo, concluído na quarta-feira (25), indica que as conversas foram recuperadas por meio de procedimentos técnicos, contrariando a versão apresentada pelo oficial, que sustenta que a esposa teria tirado a própria vida após não aceitar o fim do casamento.

De acordo com a investigação, o celular de Gisele foi desbloqueado e manuseado minutos após o disparo que a atingiu, circunstância que levanta suspeitas de que as mensagens tenham sido deletadas nesse intervalo. No aparelho do coronel, não havia registros de conversas com a vítima no dia 17 de fevereiro, véspera do crime.As mensagens recuperadas mostram um cenário diferente do relatado pelo militar.

 Em um dos trechos, Gisele manifesta de forma clara o desejo de se separar e rejeita qualquer dependência financeira do marido:“Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão […] Vejo que se arrependeu do casamento, eu também, e tem todo o direito de pedir o divórcio. Não quero nada seu, como te disse, eu me viro pra sair. Tenho minha dignidade. Pode entrar com o pedido [de divórcio] essa semana.”

Segundo a Polícia Civil, cerca de oito horas e meia após o envio dessas mensagens, Gisele foi baleada na cabeça com a arma do próprio marido, dentro do apartamento onde viviam, na região central de São Paulo.Testemunhas e perícia indicam ainda que o oficial demorou aproximadamente 30 minutos para acionar o socorro. A vítima foi levada ao Hospital das Clínicas ainda com vida, mas não resistiu e morreu às 12h04.

Outro ponto destacado no relatório é que o comportamento do coronel nas conversas indicaria resistência ao término do relacionamento. Conforme o documento, ele demonstrava “completa insatisfação” quando a esposa mencionava a separação, frequentemente desviando o assunto ou tentando resgatar momentos positivos do casal.

A investigação também aponta que uma suposta traição pode ter sido um dos fatores determinantes para a crise conjugal. Em uma das mensagens, Gisele relata o impacto emocional da situação:“Você sabe que essa história me atingiu, me machucou muito, e através dela houve reflexos negativos no casamento e, mesmo assim, [você] insiste em ficar com ironias, em relação a tudo? Ontem [13/2] meu pai veio me buscar, você pediu para eu ficar, daí eu fico e você continua com esse tratamento com esses assuntos?”Em outro trecho, a policial critica a postura do marido, especialmente em relação a questões financeiras e ao tratamento que recebia:

“Você não é melhor no relacionamento por pagar o aluguel. Isso não deveria nem entrar em questão. Porque estou falando da relação interpessoal, isso que você tá fazendo é covardia! Se você quer separar, vamos separar, mas se continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante, e sem escrúpulos. Eu estou deixando bem claro pra você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca.”

Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como morte suspeita ainda no dia do ocorrido e, posteriormente, como feminicídio. Um mês depois, o oficial foi preso por determinação da Justiça.

Atualmente, Geraldo Leite Rosa Neto está detido no Presídio Militar Romão Gomes. Ele responde por feminicídio e fraude processual, sob suspeita de ter manipulado a cena do crime. Em depoimentos, apresentou versões consideradas contraditórias pela investigação.

Apesar das evidências reunidas, o coronel e sua defesa mantêm a tese de suicídio. O caso segue em andamento e deve avançar com base nos laudos periciais e nos elementos reunidos pela Polícia Civil.

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