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“Ele tentou me beijar": PM denuncia outros ataques de tenente-coronel acusado de matar esposa

O oficial também é apontado como responsável por uma série de condutas abusivas

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso sob acusação de assassinar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana (Foto: Reprodução R7- Record)

247 - Um inquérito conduzido pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) investiga denúncias de assédio sexual e moral envolvendo o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto. As informações foram divulgadas inicialmente pela CNN Brasil e revelam um conjunto de acusações graves feitas por uma policial militar, ouvida sob condição de testemunha protegida.

O oficial, que já está preso sob acusação de feminicídio contra a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, também é apontado como responsável por uma série de condutas abusivas dentro da corporação. O depoimento descreve episódios que teriam ocorrido entre julho e novembro de 2025, período em que ele comandava a unidade onde a denunciante trabalhava.

Segundo a policial, o comportamento do superior hierárquico ultrapassava os limites profissionais e incluía investidas diretas. Em um dos episódios mais graves, ela relata uma tentativa de beijo forçado dentro das dependências da companhia. “Ele tentou me beijar, contudo me afastei e coloquei minha mão para impedir. Disse ‘seu limite é aqui’”, afirmou.

Após o episódio, as abordagens teriam se tornado frequentes e insistentes. A testemunha afirma que o tenente-coronel fazia convites recorrentes para encontros fora do ambiente de trabalho, sempre com conotação pessoal. “Ele dizia que poderia fechar a porta da sala para que ninguém soubesse que eu estava ali com ele e o que estaria fazendo.”

As investidas, segundo o relato, também ocorriam durante o expediente. Em uma das ocasiões, o oficial teria sugerido intimidade de maneira indireta, durante um convite para uma atividade física. “Ele me convidou para nadar com ele e disse ‘na boa’, piscando, dando a entender que poderia ter algum tipo de intimidade comigo.”

A policial afirma que recusou todas as tentativas e deixou claro que não tinha interesse em qualquer relação além da profissional. Ainda assim, o comportamento persistiu e passou a afetar diretamente sua rotina de trabalho. “Eu somente queria paz", afirmou a policial.

De acordo com o depoimento, as negativas teriam provocado retaliações dentro da corporação. A principal delas foi uma transferência considerada prejudicial pela denunciante, que a afastou de sua base original. “Tenho certeza que essa transferência ocorreu porque eu não quis me relacionar com ele. Foi uma espécie de vingança.”

A testemunha também relata que o oficial utilizava sua posição hierárquica como forma de pressão, tentando criar vínculos pessoais com subordinados em troca de possíveis benefícios profissionais. “Ele queria que eu ficasse devendo favores para fortalecer as iniciativas dele em relação a mim.”

Além das acusações individuais, a policial afirma que outras colegas de farda também teriam sido alvo de comportamentos semelhantes, mas não formalizaram denúncias por medo de represálias. “Tenho conhecimento que ele assediava outras policiais, mas elas não têm coragem de denunciar.”

Mesmo após conseguir a transferência, a denunciante relata ter vivido sob constante tensão e receio. A decisão de levar o caso às autoridades foi acompanhada por temor de consequências dentro da própria instituição. “Tenho muito medo da possibilidade de represálias dentro da própria PM.”

O caso segue sob investigação do Ministério Público, que apura a extensão das denúncias e a eventual existência de outras vítimas. A Polícia Militar ainda não divulgou posicionamento oficial sobre as acusações.

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