Chuvas históricas deixam 38 mortos e 30 desaparecidos em Minas Gerais
Tempestade recorde atinge Zona da Mata, provoca destruição em Juiz de Fora e Ubá e leva autoridades a decretarem calamidade pública
247 - O número de mortos após as chuvas de proporções inéditas que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais subiu para 38, segundo atualização divulgada pelo Corpo de Bombeiros nesta quarta-feira (25). As equipes seguem mobilizadas na busca por 30 desaparecidos em meio a um cenário de devastação, principalmente em Juiz de Fora, a cidade mais afetada.
De acordo com o balanço mais recente, cinco corpos foram localizados durante a madrugada em Juiz de Fora, que já contabiliza 32 vítimas fatais. Em Ubá, município vizinho, outras seis mortes foram confirmadas. Pelo menos cinco crianças estão entre as vítimas. As buscas continuam de forma ininterrupta, com 28 pessoas ainda desaparecidas em Juiz de Fora e duas em Ubá.
Até o momento, 208 pessoas foram resgatadas com vida. Em Juiz de Fora, cerca de três mil moradores estão desabrigados e outros 400 desalojados. Já em Ubá, são 26 desabrigados e 178 desalojados. Para reforçar as operações, mais de 20 militares foram deslocados de Belo Horizonte, além de cães especializados em busca em estruturas colapsadas. Na manhã desta quarta-feira, atuavam 62 bombeiros em Juiz de Fora, 49 em Ubá e 14 em Matias Barbosa. O solo encharcado dificulta o trabalho das equipes.
Fevereiro mais chuvoso da história
O volume de chuva registrado transformou fevereiro no mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram acumulados 579,3 milímetros, o equivalente a 270% acima do esperado para o período. O índice supera o recorde anterior, registrado em 1988.
Diante da gravidade da situação, o governo federal reconheceu o estado de calamidade pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora. O governo de Minas Gerais estabeleceu luto oficial de três dias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas nas redes sociais e afirmou ter determinado “pronta mobilização”, com envio de equipes do Sistema Único de Saúde (SUS) à região atingida.
O governador Romeu Zema esteve em Juiz de Fora no fim da tarde e acompanhou os trabalhos de resgate. Em entrevista coletiva, declarou: “Tão logo tomamos conhecimento da gravidade das ocorrências aqui, ainda de madrugada, determinei ao coronel Rezende, nosso chefe da Defesa Civil, que empenhasse todos os esforços possíveis no sentido de tentarmos salvar o maior número de pessoas”.
Bairros devastados e serviços interrompidos
Os deslizamentos que resultaram em mortes foram registrados nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa, em Juiz de Fora. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a extensão dos danos. Em um dos registros, uma mulher aparece agarrada a um poste no meio da enxurrada. Em Ubá, vídeos mostram caixões sendo arrastados pela água nas proximidades de uma agência funerária. Também houve relato de uma casa de repouso inundada, com idosos sobre colchões.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, informou que diversos bairros ficaram isolados. Em comunicado divulgado nas redes sociais, afirmou: “O Rio Paraibuna saiu da calha, o que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando. É uma situação de calamidade”.
O decreto municipal de calamidade pública terá validade de 180 dias. As aulas na rede municipal foram suspensas, 25 ruas passaram por evacuação completa e 15 escolas foram transformadas em pontos de acolhimento. A prefeitura também alertou para a criação de páginas falsas na internet destinadas a arrecadar recursos em nome das vítimas.
Em Ubá, a inundação levou à interrupção de serviços essenciais de saúde. A prefeitura anunciou a suspensão das atividades da Farmácia Municipal, do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), da Policlínica Regional e da EAP Central.


