Chuvas provocam novos desabamentos e ampliam tragédia em Juiz de Fora
Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros seguem mobilizadas para avaliação dos danos e retirada preventiva de famílias
247 - A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, voltou a registrar desabamentos durante a madrugada desta quinta-feira (26), em meio à continuidade das fortes chuvas que atingem o município. As informações são do portal Metrópoles.
Segundo o município, edificações desabaram na rua Doutor Augusto Eckman, no bairro Jardim Natal. Diante do risco iminente de novos colapsos estruturais, autoridades determinaram a evacuação imediata da área, incluindo moradores da rua Tenente Lucas Drumond e regiões próximas. Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros seguem mobilizadas para avaliação dos danos e retirada preventiva de famílias.
Durante a noite anterior, também foi registrada inundação na Vila dos Sonhos, ampliando o cenário de emergência vivido pela população local. Ruas alagadas, encostas instáveis e imóveis comprometidos passaram a integrar a rotina dos moradores após dias consecutivos de chuva intensa.
O novo boletim do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgado na madrugada desta quinta-feira, elevou o nível de preocupação ao classificar como “muito alto” o risco de novos alagamentos, enxurradas e deslizamentos ao longo do dia.Segundo o comunicado técnico, “considera-se MUITO ALTA a possibilidade de permanência ou novas ocorrências de enxurradas, alagamentos em áreas de drenagem deficiente e inundações na Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora (MG)”.
O documento também alerta para instabilidade geológica significativa. “Neste cenário há possibilidade de ocorrer novos deslizamentos esparsos e generalizados em encostas com suscetibilidade a estes processos, além de quedas de barreira à margem de estradas e rodovias”, informa o boletim.Até o momento, o desastre climático já deixou 42 mortos e pelo menos 17 pessoas seguem desaparecidas, segundo dados oficiais.
Equipes de resgate continuam as buscas em áreas atingidas por soterramentos e desmoronamentos, enquanto abrigos emergenciais recebem famílias desalojadas.De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume acumulado de chuva em fevereiro chegou a 733 milímetros — índice equivalente a 4,3 vezes a média histórica prevista para o mês. O excesso de precipitação saturou o solo, aumentando drasticamente o risco de deslizamentos em regiões de encosta.
Diante da gravidade da situação, a prefeitura decretou situação de calamidade pública na última terça-feira (24). O reconhecimento imediato pelo governo federal permite flexibilização de regras administrativas e liberação acelerada de recursos para assistência humanitária, reconstrução de áreas afetadas e apoio às vítimas.Autoridades municipais reforçam o pedido para que moradores atendam às orientações de evacuação e evitem permanecer em áreas de risco. A Defesa Civil mantém monitoramento permanente das chuvas e alerta que novas ocorrências podem acontecer a qualquer momento, especialmente em bairros com histórico de instabilidade do terreno.
A tragédia causada pelas chuvas em Juiz de Fora já é considerada uma das mais graves da história recente da cidade, combinando volume recorde de precipitações, ocupação urbana em áreas vulneráveis e sucessivos episódios de deslizamentos que continuam ameaçando a população.

