Comissão de Direitos Humanos classifica como chacina operação no Jacarezinho

Operação das Polícias Civil e Militar deixa pelo menos 24 moradores mortos e um policial mortos; atividade desrespeita determinação do STF

(Foto: Reprodução/TV Globo)
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Brasil de Fato - Uma operação das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deixou pelo menos 25 mortos na comunidade do Jacarezinho, na zona norte do Rio, na manhã desta quinta-feira (6). 

Em entrevista ao Brasil de Fato, Mônica Cunha, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) classificou como uma chacina a operação policial. "As pessoas têm vida dentro da favela, mas a vida não teve como funcionar. A única coisa que funcionou foi uma chacina, várias pessoas mortas, sendo um policial morto. Um absurdo e qual é o saldo disso? Pessoas mortas e luto. Hoje é no Jacarezinho, ontem foi na Maré, anteontem foi na Cidade de Deus e assim vai", afirmou.

Segundo a polícia, um policial morreu após ser baleado na cabeça e dois outros foram feridos. Na estação de metrô de Triagem, que fica próxima à comunidade, dois passageiros foram feridos. 

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Mônica Cunha também lembrou que a operação desrespeita determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu operações em favelas do estado. "A ADPF 635 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) é uma recomendação para não acontecer operação em nenhuma favelas do estado do Rio de Janeiro durante esse momento de pandemia, mas não é respeitada", argumentou.  "Nas favelas eles tem que entrar e deixar corpo no chão. O objetivo é deixar corpo preto no chão", acrescentou .

Segundo ela, operações como a ocorrida no Jacarezinho inviabilizam a vida dos trabalhadores das favelas. "As pessoas ficam totalmente impossibilidade de levarem a sua vida cotidiana. Teve uma mulher com uma cesariana agendada e não conseguiu parir, outra iria casar e não conseguiu. Isso não acontece na Vieira Souto. Lá a vida não para quando eles invadem aqueles condomínios de luxo", comparou.

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Mônica Cunha é fundadora do Movimento Moleque, um coletivo que luta por direitos aos jovens infratores. Seu filho, Rafael da Silva Cunha, foi morto pela Polícia Civil em dezembro de 2006, no entorno da favela do Jacarezinho, palco da chacina de hoje.

A deputada estadual Monica Francisco (PSOL) também trouxe o relato de “moradores despertados pelos tiros, acuados dentro de casa, baleados dentro do metrô e nas ruas. Tudo isso no horário de sair para o trabalho e durante uma pandemia. Isso é segurança pública? Cadê a proteção à vida, o uso da inteligência e da tecnologia?”

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A operação "Exceptis", coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, é decorrente de denúncias contra criminosos que estariam expulsando pessoas de suas casas no Jacarezinho, sendo responsáveis por assassinato de moradores e sumiço dos corpos. Os suspeitos também foram acusados de tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a pedestres.

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