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Da carbonara ao escândalo: veja como o restaurante de MC Ryan SP se tornou alvo da Operação Narco Fluxo

Estabelecimento citado na Operação Narco Fluxo teria ligação com esquema de R$ 1,6 bilhão envolvendo apostas ilegais e tráfico, segundo a PF

Bololo Restaurant, do MC Ryan SP (Foto: Reprodução/Instagram)

247 - O restaurante ligado ao funkeiro MC Ryan SP passou do sucesso nas redes sociais para o centro de uma investigação federal após entrar na lista de alvos da Operação Narco Fluxo, que apura um esquema bilionário no País, conforme destacou o Portal G1 nesta quarta-feira (15). O caso envolve suspeitas de lavagem de dinheiro associadas a atividades ilegais, com movimentação estimada em R$ 1,6 bilhão.

As informações foram divulgadas a partir da investigação conduzida pela Polícia Federal, que identificou o Bololô Restaurant & Bar, localizado na Zona Leste de São Paulo, como parte de uma estrutura utilizada para integrar recursos ilícitos à economia formal.

De acordo com os investigadores, o estabelecimento integrava um sistema mais amplo que operava a lavagem de dinheiro oriundo de apostas ilegais e do tráfico de drogas. O grupo utilizava empresas dos setores de entretenimento e gastronomia para dar aparência legal a valores obtidos de forma irregular.

A apuração indica que a estratégia consistia em misturar receitas provenientes de rifas digitais e plataformas clandestinas de apostas com o faturamento legítimo desses negócios. Nesse contexto, o restaurante foi apontado como peça relevante em um mecanismo descrito como “blindagem patrimonial”, voltado à ocultação e circulação de capitais ilícitos.

Inaugurado em setembro de 2023, o Bololô Restaurant & Bar ganhou visibilidade nas redes sociais e se consolidou como ponto de encontro de fãs de funk. O local também alcançou destaque cultural ao ser citado na música “Let’s Go 4”, em que o artista MC GP menciona um jantar no estabelecimento e faz referência ao prato de macarrão à carbonara.

Operação mobiliza agentes em vários estados

A Operação Narco Fluxo mobilizou cerca de 200 policiais federais para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. As ações ocorreram em oito estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás — além do Distrito Federal.

Entre os alvos das ordens judiciais expedidas pela 5ª Vara Federal em Santos estão nomes conhecidos do meio artístico e digital. MC Ryan SP aparece entre os investigados, assim como o funkeiro MC Poze do Rodo, que foi preso. Também foram detidos influenciadores digitais como Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, e Chrys Dias, que soma milhões de seguidores nas redes sociais, além de outros produtores de conteúdo.

A investigação segue em andamento e busca detalhar o funcionamento da rede e o papel de cada envolvido no esquema financeiro identificado pela Polícia Federal.

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