Ex-chefe da GCM segue na prefeitura de São Paulo um ano após acusação de violência doméstica
Afastado do comando desde abril de 2025, Eliazer Rodella continua trabalhando e recebendo salário enquanto responde a processo administrativo sigiloso
247 - Quase um ano após ter sido afastado do comando da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo por acusações de violência doméstica, o ex-comandante da corporação, Eliazer Rodella, segue exercendo atividades administrativas na prefeitura e recebendo salário. O caso permanece em análise em um processo disciplinar sigiloso conduzido pela Corregedoria Geral da GCM.
As informações foram divulgadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que revelou que Rodella continua comparecendo ao trabalho e chegou a ser indicado para integrar grupos de trabalho dentro da corporação durante o período em que responde à investigação.Rodella foi afastado do cargo em 4 de abril de 2025, após sua ex-esposa, Samara Rocha Bragantini, acusá-lo de violência doméstica e psicológica em entrevista ao jornal. Ele havia assumido o comando da GCM apenas alguns meses antes, em janeiro daquele mesmo ano.Desde então, o ex-comandante permanece vinculado à corporação enquanto o processo administrativo segue em andamento. Procurada pela coluna Painel, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que Rodella atualmente desempenha funções administrativas e não ocupa cargos de chefia enquanto a investigação disciplinar não é concluída.Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana declarou: "Atualmente, o servidor exerce função administrativa na corporação, sem ocupar cargo de chefia, enquanto tramita o processo disciplinar, conforme a legislação vigente".
A prefeitura não informou qual tem sido o salário mensal recebido por Rodella desde o afastamento, nem apresentou previsão para a conclusão do processo administrativo em curso.
Durante o período em que responde à investigação, Rodella chegou a ser designado para integrar uma comissão responsável por desenvolver ações relacionadas à Copa do Mundo feminina de futebol de 2027, evento do qual a cidade de São Paulo será uma das sedes. A nomeação ocorreu em maio de 2025, mas foi revogada dez dias depois, após a indicação se tornar pública.Meses mais tarde, em setembro de 2025, o ex-comandante voltou a ser indicado para um grupo de trabalho, desta vez na Superintendência de Ações Ambientais e Especializadas da GCM. A nomeação também acabou sendo cancelada após questionamentos da coluna Painel.
A reportagem tentou contato com Eliazer Rodella, mas não obteve retorno. Desde que foi afastado do comando da Guarda Civil Metropolitana, ele não concedeu entrevistas públicas.
