Glenn: ida de Freixo ao PSB mostra nova face do PSOL, em busca de união da esquerda pró-democracia

Segundo o jornalista Glenn Greenwald, em coluna na Carta Capital, a ida do deputado federal Marcelo Freixo para o PSB é importante para se opor ao “desastre total do governo Bolsonaro e os crescentes perigos apresentados por seu movimento”

(Foto: MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO | Valter Campanato/Agência Brasil)
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247 - Segundo o jornalista Glenn Greenwald, em coluna na Carta Capital, a ida do deputado federal Marcelo Freixo (ex-PSOL) para o PSB “mostra uma nova face do PSOL”.

Greenwald argumenta que a mudança de partido “é parte da construção mais ampla de uma nova aliança de esquerda e centro-esquerda, envolvendo a suposta fusão do PSB e do PCdoB, que formará uma ‘frente ampla’, a fim de apoiar a candidatura de Lula e substituir o bolsonarismo por uma união da esquerda pró-democracia”.

“É difícil vencer no Rio de Janeiro quando se é percebido como um candidato de esquerda – mesmo no auge, o PT nunca conseguiu eleger um prefeito ou governador do Rio – e concorrer com um partido de centro-esquerda é politicamente vantajoso”, argumenta o jornalista justificando a mudança de partido pelo deputado.

Glenn argumenta que, “para maximizar suas chances, [o deputado] precisa criar alianças com partidos de centro-esquerda e até mesmo de centro — que não seriam permitidas dentro do PSOL” e cita uma fala de Freixo à Revista Veja:

“No PSB terei a chance de fazer uma aliança mais ampla, com partidos progressistas e de centro, para enfrentar o grupo político que faliu o Rio e entranhou a corrupção no estado”, afirmou o deputado.

O que é “notável” para o jornalista é que a ida de um dos principais deputados do PSOL para outro partido mostra “uma nova face” da legenda, pois “nada disso poderia acontecer sem o consentimento”

“De acordo com a lei eleitoral brasileira, um deputado federal eleito pode perder seu mandato se, durante os primeiros três anos, deixar o partido que o elegeu. Com a saída de Freixo antes desse prazo, o partido ou suas duas suplentes (as professoras universitárias Tatiana Roque e Luciana Boiteux) teriam o direito legal de exigir a expulsão de Freixo do Congresso”, argumenta.

“A maneira como Freixo deixa o PSOL sinaliza que ele tem o aval das lideranças partidárias e de suas duas suplentes. Freixo não deixaria o partido se isso significasse perder seu mandato. [...] Ele reconheceu que tudo foi feito em acordo com os líderes do PSOL”, ressalta.

Questionando por que o PSOL, “um partido famoso pelos princípios, que frequentemente evitou e condenou alianças pragmáticas e estratégicas no passado – foi, aliás, criado em oposição a tais alianças – aceitaria a ida de Freixo a um partido de centro-esquerda”, o jornalista responde:

“Porque o desastre total do governo Bolsonaro e os crescentes perigos apresentados por seu movimento alimentaram um pragmatismo que não era visto na esquerda brasileira desde pelo menos 2004, quando dissidentes de esquerda do PT deixaram o partido – em protesto contra compromissos neoliberais e escândalos de corrupção – para formar o PSOL”. 

“Mesmo há quatro anos, seria impensável que o PSOL se contentasse em perder uma cadeira no Congresso e concordar com a migração de um de seus deputados para um partido de centro-esquerda”, conclui.

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