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Justiça comum julgará tenente-coronel acusado de matar esposa

Decisão do STJ define que caso de morte da PM Gisele será analisado pelo Tribunal do Júri em São Paulo, afastando a competência da Justiça Militar

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto quebrou o silêncio e falou pela primeira vez publicamente sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves (Foto: Reprodução)

247 - O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, será julgado pela Justiça comum. A decisão foi tomada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e estabelece que o processo ficará sob responsabilidade da 5ª Vara do Júri da capital paulista.

As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles. De acordo com a publicação, o entendimento do STJ afasta a competência da Justiça Militar, definindo que o caso deve tramitar na esfera comum por se tratar de crime doloso contra a vida.

A decisão foi proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que considerou que a natureza do crime exige julgamento pelo Tribunal do Júri. Com isso, o processo segue na Justiça paulista comum, onde o oficial responde por feminicídio e fraude processual.

O advogado da família da vítima, José Miguel da Silva Júnior, confirmou a decisão e afirmou que o entendimento reforça a tese de que o caso não possui natureza militar, devendo ser analisado pela Justiça comum.

A policial militar Gisele Alves Santana foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e transportada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. O atestado de óbito apontou traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

Inicialmente registrado como suicídio consumado, o caso passou a ser tratado como morte suspeita após surgirem dúvidas sobre a dinâmica do ocorrido. Com o avanço das investigações e a realização de perícias técnicas, a Polícia Civil concluiu que a hipótese de suicídio não se sustentava diante dos elementos coletados no local.

Diante dessas conclusões, a polícia solicitou à Justiça a prisão preventiva do tenente-coronel em 17 de março, apontando-o como principal suspeito. No dia seguinte, a Justiça Militar de São Paulo decretou a prisão, e o oficial foi detido no mesmo dia em um condomínio residencial em São José dos Campos, no interior paulista.

A prisão ocorreu exatamente um mês após a morte da soldado. Desde então, o caso segue em investigação, agora sob a competência da Justiça comum, que deverá conduzir o julgamento do acusado pelo Tribunal do Júri.

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