Tenente-coronel red pill perseguiu e stalkeou ex-mulher há 16 anos
Na época, a ex-esposa, uma dentista hoje com 51 anos, procurou a Polícia em Taubaté para denunciar o então major
247- Um boletim de ocorrência registrado há 16 anos revela que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, atualmente preso sob suspeita de feminicídio, já havia sido denunciado por perseguição e perturbação por sua ex-mulher. O caso, ocorrido em 2010, reforça a linha de investigação sobre o histórico de comportamento do oficial. As informações são do portal Metrópoles.
Na época, a ex-esposa, uma dentista hoje com 51 anos, procurou a Polícia Civil em Taubaté, no interior de São Paulo, para denunciar o então major por descumprimento de decisões judiciais relacionadas à guarda da filha do casal. Segundo o registro, ele estaria desrespeitando datas e horários estabelecidos pela Justiça para visitas.
De acordo com o boletim, a mulher relatou uma série de episódios que caracterizariam perseguição. “Porém, a vítima vem sofrendo vários problemas de perturbação de sua tranquilidade, em face do autor [Geraldo Neto] estar indo em horários e datas que não estão determinados pela Justiça”, diz trecho do documento policial.
Ainda segundo o relato, o oficial realizava ligações em horários variados, o que levou a ex-mulher a trocar de número telefônico diversas vezes. A denúncia menciona que ela mudou sua linha “por três vezes” na tentativa de evitar o contato insistente.
A dentista também afirmou que o ex-marido utilizava a filha como justificativa para se aproximar dela, mesmo quando a criança não estava sob seus cuidados. À época, a mulher relatou que o policial sabia que a filha passava férias com os avós, mas ainda assim comparecia à sua residência sob esse pretexto.
Diante da situação, a ex-esposa buscou medidas judiciais para garantir o afastamento do oficial. Segundo o boletim, ela já havia solicitado o “distanciamento” do então major, medida que, de acordo com o relato, não vinha sendo respeitada. O caso foi encaminhado à Vara da Família e das Sucessões da Comarca de Taubaté.
O histórico veio à tona após a prisão de Geraldo Leite Rosa Neto, ocorrida no último dia 18, sob suspeita de assassinar a atual esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos. Ela foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia, na região do Brás, em São Paulo.
O oficial nega o crime e sustenta que a vítima teria tirado a própria vida por não aceitar o fim do relacionamento. A versão, no entanto, é contestada por elementos reunidos pela investigação, incluindo mensagens extraídas do celular da vítima pela Polícia Científica.
Procurada pela reportagem, a ex-mulher do tenente-coronel preferiu não comentar o caso. Já a defesa do policial informou que irá se manifestar apenas nos autos do processo.

