HOME > Sudeste

Justiça concede medida protetiva a muçulmana contra homem por ofensa religiosa

"Muçulmano degola judeu e cristão em todo o mundo", disse o responsável pelas ofensas, de acordo com a investigação

Um homem e uma mulher muçulmana em Barueri (SP) (Foto: Arquivo Pessoal)

247 - A Justiça decidiu conceder medida protetiva para a muçulmana de 38 anos ofendida por um homem dentro de um supermercado na cidade de Barueri, na Grande São Paulo, em 23 de janeiro deste ano. A decisão foi anunciada pelo juiz Djalma Moreira Gomes Junior, da comarca de Osasco (SP).

A muçulmana estava esperando para ser atendida na padaria do mercado, quando foi abordada por um cliente. "Muçulmano degola judeu e cristão em todo o mundo", disse o homem em 23 de janeiro, conforme vídeo feito pela irmã da vítima e enviado ao Portal G1. Depois ele percebeu que estava sendo filmado: "Pode gravar, aqui é um cristão. Pode cortar meu pescoço, muçulmano. Não tenho medo de muçulmano".

A vítima desabafou sobre o caso. "O ocorrido me causou muito medo. Usar sua fé, suas roupas ou símbolos religiosos é um direito constitucional. Nada justifica agressões verbais, ameaças ou discurso de ódio. Ofender alguém em razão de sua religião é crime no Brasil. No meu caso, trata-se de intolerância religiosa, além de injúria qualificada", afirmou a vítima.

Existem entre 800 mil e 1,5 milhão de muçulmanos no Brasil, apontaram estimativas divulgadas pela Federação das Associações Muçulmanas no Brasil (Fambras) em 2022. Em nível global, números divulgados pelo Pew Forum, com base em dados de 2020, apontaram que o cristianismo é o grupo religioso com a maior quantidade de adeptos (2,3 bilhões), seguido pelos muçulmanos, com 2 bilhões.

Medidas judiciais

O Judiciário determinou que o homem não pode se aproximar da vítima, e fixou a distância mínima de 300 metros, além de proibi-lo de frequentar simultaneamente os mesmos locais que a mulher.

O homem foi proibido de manter, por qualquer meio, contato com a vítima, seus familiares ou testemunhas. A Justiça suspendeu a posse e o porte de arma.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que "a vítima foi ouvida, o autor identificado e demais diligências seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos".

Artigos Relacionados