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Justiça do Rio manda soltar vereador Salvino Oliveira, preso por suposta ligação com Comando Vermelho

Desembargador afirma que indícios de ligação com o Comando Vermelho são frágeis; decisão impõe restrições ao parlamentar investigado

Salvino Oliveira (PSD) (Foto: Reprodução)

247 - A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta sexta-feira (13) a soltura do vereador Salvino Oliveira (PSD), preso pela Polícia Civil sob suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. A decisão foi proferida pelo desembargador Marcus Basílio.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o magistrado entendeu que os indícios apresentados contra o parlamentar são frágeis. Ele destacou que Salvino possui residência fixa e, por exercer mandato público, pode ser localizado pelas autoridades.

Mesmo com a liberdade concedida, o desembargador impôs medidas cautelares. O vereador está proibido de deixar o estado do Rio de Janeiro por mais de 15 dias sem autorização judicial e não poderá manter contato com os demais investigados.

Na decisão, Basílio afirmou que a análise não representa um julgamento definitivo sobre a investigação conduzida pela polícia. Segundo ele, “o fundamento da prisão quanto ao indício do seu envolvimento naquela organização é bastante precário”, citando que há apenas referência a uma conversa de terceiros ocorrida há mais de um ano.

O magistrado também observou que a suposta mensagem usada como indício ocorreu sem qualquer resposta registrada e que não atende ao requisito de contemporaneidade exigido para prisões cautelares. Por isso, considerou não haver justificativa suficiente para manter a prisão do vereador.

A investigação da Polícia Civil aponta como principal elemento uma mensagem atribuída a Elder Landim, conhecido como Dom, enviada a Edgar Alves de Andrade. No texto, ele pergunta: “Chefe, acabou de me ligar o Landerson, sobrinho da Tia Márcia, falando que o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é pra eu dar suporte e ajudar nos projetos deles. Procede?”

Segundo o relatório policial, após a mensagem os dois conversaram por chamada de voz por cerca de 11 minutos, mas não há registro do conteúdo da conversa nem de qualquer resposta à pergunta feita.

Com base nesse diálogo, a polícia levantou a hipótese de “possível direcionamento de recursos ou oportunidades contratuais em benefício da facção ou de seus membros em troca da constituição de curral eleitoral a favor do vereador”.

A prisão provocou embate político entre o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro. Enquanto Paes criticou a operação e sugeriu uso político da investigação, Castro afirmou que o vereador seria “braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.

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