Leite condensado pode desvendar crime de envenenamento em Ribeirão Preto
Detalhe aparentemente comum — o uso de leite condensado — se tornou central nas investigações
247 - Um detalhe aparentemente comum — o uso de leite condensado — se tornou central nas investigações sobre o caso de envenenamento envolvendo um copo de açaí em Ribeirão Preto. Segundo reportagem do g1, o item pode ajudar a esclarecer as circunstâncias em que a substância tóxica foi inserida no alimento.
A principal investigada é Larissa de Souza, de 26 anos, indiciada por tentativa de homicídio qualificado após a confirmação da presença de terbufós — princípio ativo do chamado “chumbinho” — em um dos copos consumidos pelo namorado, Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos.
Em depoimento à Polícia Civil, Larissa afirmou que apenas adicionou leite condensado ao produto, alegando que o item teria sido entregue separadamente pela loja. No entanto, essa versão entra em conflito com o relato de funcionárias e do gerente do estabelecimento, que garantem que todos os ingredientes foram adicionados diretamente durante o preparo, sem itens extras.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pelos investigadores reforçam as suspeitas. Os registros mostram a jovem, ainda dentro do carro, despejando algo em um dos copos antes de entregá-lo ao namorado. Em seguida, ela descarta um pequeno saco plástico em via pública.
Segundo a Polícia Civil, o comportamento registrado levanta dúvidas sobre a versão apresentada pela investigada. Ainda assim, Larissa nega qualquer envolvimento no envenenamento e responde ao processo em liberdade.
O caso teve início no dia 5 de fevereiro, quando o casal comprou dois copos de açaí com morango, leite condensado e amendoim em uma loja da zona Leste da cidade. Após consumir o produto, Adenilson apresentou sintomas graves, como queimação na garganta, tontura, sonolência intensa e gosto incomum, descrito por ele como semelhante a óleo de motor.
O jovem foi inicialmente atendido em uma unidade de pronto atendimento e, devido à gravidade do quadro, transferido para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital das Clínicas. Ele se recuperou e recebeu alta médica.
Apesar do indiciamento da namorada, Adenilson afirmou à polícia que acredita na inocência dela e destacou que o relacionamento entre os dois sempre foi harmonioso. Segundo ele, não havia motivação aparente para o crime, como interesses financeiros ou conflitos prévios.
A investigação também descartou a hipótese de contaminação dentro do estabelecimento. Imagens internas da loja e o comprovante do pedido indicam que o preparo ocorreu normalmente, sem qualquer irregularidade por parte dos funcionários.
Agora, o Ministério Público busca esclarecer pontos técnicos que podem ser decisivos para o caso, como o sistema de lacre dos copos. A Promotoria quer saber se seria possível abrir e fechar o recipiente sem deixar vestígios.
“Segunda a funcionária, quando ela termina a montagem do copo, passa o lacre de segurança, estilo fita. Como são dispostas essas fitas? Quantas fitas são, o material delas e, principalmente, se houver ruptura, poderão ser recompostas sem que deixem vestígios? A própria vítima disse que, quando foi pegar o copo para tomar um suco, estava intacto”, afirmou o promotor Elizeu Berardo.
O Ministério Público também solicitou novas oitivas da vítima e das funcionárias da loja, além de registros fotográficos de produtos lacrados para análise comparativa. As datas dos novos depoimentos ainda não foram definidas.
O caso segue em investigação e depende da análise conjunta de provas técnicas, depoimentos e imagens para esclarecer se houve, de fato, a manipulação do alimento após a compra e quem seria o responsável pela possível tentativa de envenenamento.


