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Caso Ruy Ferraz: presos pelo assassinato do ex-delegado foram capturados por ele no passado

Investigação aponta que membros do PCC planejaram morte como vingança

Ruy Ferraz Fontes (Foto: Reprodução I Prefeitura de Praia Grande)

247 - Três integrantes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos nesta terça-feira (13) por envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) Ruy Ferraz Fontes, segundo o jornal O Globo.

O caso ocorreu em setembro de 2025, em Praia Grande, no litoral paulista. De acordo com a investigação, os detidos foram responsáveis pelo planejamento do crime e já haviam sido presos anteriormente pelo próprio Ruy Ferraz por roubos a banco.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que os três suspeitos tinham histórico criminal ligado a assaltos a instituições financeiras e mantinham relação direta com o ex-delegado. "São assaltantes de banco presos pelo Ruy em 2005, quando ele atuava fortemente contra o crime organizado", disse, acrescentando que a motivação do assassinato pode ter sido vingança.

Presos e histórico criminal

Foram presos Fernando Gonçalves dos Santos, conhecido como Azul, detido em Jundiaí; Marcio Serapião de Oliveira, o Velhote, preso no bairro de Interlagos, na zona sul da capital paulista; e Manoel Ribeiro Teixeira, chamado de Manoelzinho, localizado em Mongaguá. Segundo a polícia, o trio atuou no planejamento da execução e no apoio logístico aos executores.

A operação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Duas pessoas seguem foragidas, entre elas Pedro Luiz da Silva Moraes, conhecido como Chacal, que teria deixado o país com destino à Bolívia.

Investigações e apreensões

Impressões digitais dos suspeitos foram encontradas nos veículos usados no crime. Um dos carros, um Jeep Renegade, havia sido furtado em março do ano passado e permaneceu escondido por meses em um imóvel em Mongaguá antes de ser utilizado na ação criminosa. No veículo, os peritos identificaram digitais de Fernando Gonçalves dos Santos.

Segundo a Polícia Civil, os três presos são integrantes do PCC e já cumpriram pena na Penitenciária de Presidente Venceslau. Eles fariam parte da chamada sintonia restrita da facção, setor responsável por atentados contra policiais, autoridades do Judiciário, do Ministério Público e do sistema penitenciário. A investigação indica que uma reunião para planejar o assassinato ocorreu em março, em Mongaguá.

A diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Ivalda Aleixo, afirmou que a polícia reuniu provas documentais e imagens antes de deflagrar a operação de forma simultânea para evitar vazamentos. Já o delegado Clemente Castilhone Júnior, do Departamento de Investigações Criminais, destacou que os presos ocupavam posição estratégica dentro da facção, com histórico de crimes de grande impacto.

Os materiais apreendidos, incluindo celulares, documentos e computadores, serão analisados para verificar se os três presos foram a instância final da decisão ou se a ordem partiu de integrantes do alto comando do PCC.

Denúncia do Ministério Público

Em novembro, o Ministério Público de São Paulo denunciou oito pessoas pelo assassinato de Ruy Ferraz Fontes. Segundo a acusação, a execução foi determinada pela chamada "sintonia geral" do PCC, a cúpula da organização criminosa, em razão da atuação do ex-delegado ao longo de quatro décadas no combate à facção.

Ruy Ferraz ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980 e atuou em unidades estratégicas como Denarc, Dope e Deic. Nos anos 2000, liderou investigações que expuseram a estrutura interna do PCC e coordenou, em 2006, o indiciamento de dirigentes da facção, incluindo Marcos Camacho, o Marcola.

Relatórios policiais citados na denúncia indicam que a decisão de executar o ex-delegado teria sido tomada ainda em 2019, com base em uma carta manuscrita apreendida naquele ano, na qual lideranças da facção cobravam a morte de agentes públicos.

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