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Parada LGBT+ de SP reúne 36,8 mil pessoas, aponta levantamento da USP

Estimativa foi divulgada por pesquisadores da USP e da ONG More in Common durante a 30ª edição do evento

Pessoas participam da Parada do Orgulho LGBT+. (Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil)
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247 - A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu cerca de 36,8 mil pessoas na Avenida Paulista neste domingo (7), segundo levantamento realizado pelo projeto Monitor do Debate Político, desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e a organização More in Common.O levantamento destaca que o momento de maior concentração de participantes ocorreu às 14h37, quando o público foi estimado entre 32,3 mil e 41,2 mil pessoas. 

De acordo o jornal O Globo, os números indicam uma redução em relação às edições anteriores do evento. Em 2025, o mesmo levantamento estimou um pico de aproximadamente 48,7 mil participantes. Já em 2024, a estimativa alcançou 73,6 mil pessoas presentes.  A pesquisa trabalha com margem de erro de 12%, para mais ou para menos.

Os pesquisadores informaram que a metodologia utilizada para calcular o público em grandes eventos apresenta precisão de 72,9% e acurácia de 69,5% na identificação de indivíduos a partir de imagens aéreas. Segundo o grupo, o erro percentual absoluto médio é de 12% em registros que envolvem mais de 500 pessoas.

Neste ano, a Parada foi realizada sob o tema “A rua convoca, a urna confirma”, reforçando a importância da participação política e do voto na defesa dos direitos da população LGBT+. A edição também ocorreu em um contexto de desafios financeiros e disputas políticas em torno do evento.

A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, responsável pela organização da manifestação, informou que houve uma redução significativa nos recursos disponíveis para a realização da festa. Segundo a entidade, a saída de grandes patrocinadores provocou uma queda de aproximadamente 60% na receita entre 2025 e 2026.

Enquanto no ano passado o evento contou com o apoio de 12 marcas, neste ano apenas três empresas participaram do patrocínio: a Amstel, patrocinadora oficial, além do Grupo L'Oréal no Brasil e da Philip Morris Brasil.

A redução dos investimentos também impactou a estrutura da Parada. Em 2026, desfilaram 14 trios elétricos, número inferior aos 19 registrados na edição anterior. O cenário acompanha uma retração observada em diferentes países nos investimentos corporativos voltados a programas de diversidade e inclusão.

Além das questões financeiras, o evento foi realizado em meio a debates políticos envolvendo a população LGBT+ na capital paulista. Em maio, a Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, um projeto de lei que propõe restrições à participação de crianças e adolescentes em eventos que façam referência à temática LGBT+. A proposta também prevê classificação indicativa para maiores de 18 anos, aplicação de multas em caso de descumprimento e limitações à interdição de vias públicas para atividades desse tipo.

Entre os participantes, a dimensão política da manifestação esteve presente ao longo do percurso. A assistente social Silvia Maria de Lima, de 58 anos, que atua em uma organização voltada ao atendimento de pessoas vivendo com HIV, destacou a importância da ocupação dos espaços públicos e dos símbolos nacionais. “Hoje podemos por a bandeira do Brasil na nossa causa, símbolo que por muito tempo foi apropriado pela extrema direita”, afirmou.

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