Patente, ajuda de terceiros e nanopartículas: os desdobramentos do caso da professora da Unicamp acusada de roubar vírus
A suspeita levanta preocupações quanto à segurança de ambientes de alta contenção e ao controle de acesso a substâncias sensíveis
247 - A professora Soledad Palameta Miller, docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi presa em flagrante pela Polícia Federal sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório de alta contenção do Instituto de Biologia, em Campinas. O caso veio à tona após a própria universidade comunicar o desaparecimento das amostras, conforme informações divulgadas pela CNN.
Segundo as investigações, o material subtraído consistia em amostras virais pertencentes ao acervo de outra pesquisadora. Após diligências, os itens foram localizados escondidos em freezers de diferentes laboratórios da universidade e encaminhados para análise técnica, com o objetivo de verificar possíveis danos ou manipulações.
A apuração também aponta que a professora teria contado com o auxílio de terceiros para acessar o local onde o material estava armazenado. A suspeita levanta preocupações quanto à segurança de ambientes de alta contenção e ao controle de acesso a substâncias sensíveis dentro da instituição.Com trajetória acadêmica consolidada na área de virologia, Miller ingressou como docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp em 2025. Nascida na Argentina, a pesquisadora desenvolveu, durante o doutorado em Ciências, estudos voltados à criação de nanopartículas biológicas derivadas de capsídeos retrovirais com potencial aplicação no tratamento de câncer.
Essas tecnologias integram uma linha de pesquisa conhecida como terapia com nanopartículas direcionadas, que busca transportar medicamentos diretamente às células tumorais, reduzindo impactos sobre tecidos saudáveis. A professora, inclusive, possui patente relacionada a composições terapêuticas de partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus.Após audiência de custódia, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à investigada, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Entre elas estão o pagamento de fiança, a proibição de deixar o país e o impedimento total de acesso aos laboratórios da universidade.A docente deverá responder pelos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. O caso segue sob investigação para esclarecer as motivações e eventuais desdobramentos da conduta.Em nota oficial, a Reitoria da Unicamp informou que está colaborando com as autoridades. Segundo o comunicado, a instituição atua para garantir o completo esclarecimento dos fatos e a integridade de seus protocolos de segurança laboratorial.
