Presidente da Enel SP diz que números do apagão só serão divulgados após auditoria
Concessionária tenta explicar por que não informou o total de clientes afetados
247 - O presidente da Enel São Paulo, Guilherme Lencastre, afirmou que o número total de imóveis atingidos pelo apagão que deixou parte da capital sem energia elétrica nos dias 9 e 10 de dezembro do ano passado só será divulgado oficialmente após a conclusão de uma auditoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo ele, os dados ainda estão sob análise do órgão regulador e somente após esse processo a concessionária apresentará os números finais acompanhados de explicações detalhadas.As declarações foram dadas em entrevista à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que revelou, com base em informações da própria Enel enviadas à Aneel e confirmadas pela reportagem, que o total de clientes afetados chegou a 4,4 milhões — o dobro do que havia sido divulgado inicialmente pela empresa, que falava em 2,2 milhões de unidades impactadas.
De acordo com Lencastre, a divulgação anterior se baseou em dados preliminares coletados durante o evento climático extremo, enquanto o novo número resulta da soma total das unidades que ficaram sem energia ao longo das 12 horas consecutivas de vendaval que atingiram a cidade. “Nós sempre damos uma informação em tempo real. Depois do ocorrido, continuamos a apuração, que vem sendo compartilhada com a agência reguladora [Aneel]. Os números ainda estão sob fiscalização. Quando a Aneel tiver concluído a auditoria, divulgaremos os dados com todas as explicações”, afirmou.
O presidente da Enel explicou que, durante o processo de restabelecimento do serviço, novos desligamentos ocorreram em razão da intensidade dos ventos. Segundo ele, à medida que parte dos clientes era reconectada, outros eram afetados sucessivamente. “Por isso, em nenhum momento vocês enxergaram os 4,4 milhões”, disse, ao destacar que cerca de 70% dos consumidores tiveram o fornecimento normalizado ainda durante o período do vendaval.
Lencastre também refutou a ideia de que a divulgação de informações parciais tenha prejudicado o gerenciamento da crise. Segundo ele, a concessionária mantém controle em tempo real tanto das unidades sem energia quanto das ordens de serviço direcionadas às equipes de campo, mesmo em situações consideradas extremas.
Os dados encaminhados pela própria Enel à Aneel indicam que as equipes técnicas não atuaram de forma contínua durante toda a crise, em contraste com informações divulgadas anteriormente pela concessionária. Desde que assumiu a concessão de distribuição de energia em São Paulo, em 2018, a empresa passou a ser alvo de críticas recorrentes em razão de falhas no fornecimento.


