São Paulo registra recorde de feminicídio para o mês de janeiro com 27 mortes
Com 27 feminicídios no mês, estado atinge novo recorde e amplia alerta sobre violência de gênero
247 - O estado de São Paulo iniciou 2026 com um marco alarmante na área da segurança pública. Janeiro se tornou o mês mais violento para as mulheres desde o início da série histórica de feminicídios, em 2018, ao registrar 27 mortes — o equivalente a quase um caso por dia. As informações foram divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) e publicadas originalmente pela TV Globo e pelo g1.
O número supera o recorde anterior para o mês, consolidando uma tendência de alta observada nos últimos anos. Em 2025, o estado já havia registrado o maior volume anual de feminicídios desde que o crime passou a ser contabilizado oficialmente, em 2018. Agora, os dados de janeiro indicam um agravamento do cenário logo no início do ano.
A evolução dos casos registrados no primeiro mês do ano revela a escalada da violência letal contra mulheres. Em 2018, foram cinco ocorrências.
O número saltou para 14 em 2019, caiu para 11 em 2020 e 10 em 2021, mas voltou a crescer nos anos seguintes: 20 casos em 2022, 18 em 2023, 25 em 2024, 22 em 2025 e, agora, 27 em 2026 — o maior patamar da série.Casos recentes ilustram a gravidade da situação.
Na semana passada, Cibelle Monteiro Alves foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma joalheria em um shopping de Santo Bernardo do Campo, na região metropolitana.
O crime ocorreu em horário comercial e causou forte comoção.Já no domingo (1º), um homem foi preso sob suspeita de matar a ex-mulher por asfixia em um motel no bairro de Sapopemba, na Zona Leste da capital paulista.
Segundo as informações preliminares, o crime teria sido motivado por uma discussão relacionada à partilha de bens.A alta nos feminicídios acompanha o aumento de outros indicadores de violência doméstica e de gênero. De acordo com a SSP, os registros de ameaça cresceram de 8.705 para 9.646 na comparação entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. No mesmo período, os casos de lesão corporal passaram de 6.014 para 6.527.
Os números reforçam o alerta de especialistas e autoridades sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção e responsabilização. O feminicídio — caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão do gênero — é considerado a forma mais extrema da violência doméstica e frequentemente ocorre após um histórico de agressões e ameaças.
Diante do novo recorde, o cenário impõe desafios adicionais ao poder público e à rede de proteção às mulheres, especialmente no que diz respeito à aplicação de medidas protetivas, ao acolhimento das vítimas e ao combate à reincidência de agressores.