TCE-RJ investiga aporte de R$ 90 mi da Cedae no Digimais, alvo de ação da PF
Tribunal de Contas apura investimento feito durante o governo Cláudio Castro
247 - O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) abriu um processo para investigar o aporte de R$ 90 milhões realizado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) no Banco Digimais, instituição que se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (23). As informações são da coluna do jornalista Octavio Guedes, do G1.
A apuração ocorre em meio às investigações da PF sobre a situação econômico-financeira do Banco Digimais. Os agentes investigam suspeitas de manipulação de resultados contábeis com o objetivo de ocultar a real condição financeira da instituição.
Investimento entrou na mira do Tribunal
O investimento foi realizado durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL). Segundo o processo, o conselheiro José Gomes Graciosa determinou, em novembro de 2025, a abertura de uma inspeção especial para examinar a aplicação dos recursos públicos. Apesar da determinação, o procedimento ainda se encontra na presidência do TCE-RJ, em fase de recebimento de documentos e informações.
Mesmo após a privatização dos serviços de distribuição de água e esgoto, a Cedae continua responsável pela captação e pelo tratamento da água no estado do Rio de Janeiro, permanecendo vinculada ao governo estadual.
Ex-diretor defende aplicação
O responsável pelo aporte foi Antônio Carlos dos Santos, então diretor financeiro da companhia e nome ligado ao grupo político de Cláudio Castro. Ele confirmou a aplicação dos R$ 90 milhões por meio de um Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE), modalidade de investimento com prazo definido para resgate.
Segundo Antônio Carlos, a operação fazia parte da estratégia financeira da estatal para melhorar seus resultados e não apresentava risco de perda dos recursos, uma vez que o investimento contava com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O ex-diretor informou ainda que R$ 50 milhões já haviam retornado aos cofres da empresa durante sua gestão. De acordo com ele, os R$ 40 milhões restantes permaneciam integralmente protegidos pelo FGC.
Antônio Carlos também afirmou que não recebeu qualquer alerta de órgãos de controle sobre eventuais riscos relacionados ao Banco Digimais no período em que a aplicação foi realizada.
Cedae anuncia mudança na política de investimentos
Em nota, a Cedae informou que a atual administração revisou sua Política de Aplicações Financeiras. As mudanças foram aprovadas pelo Conselho de Administração em 19 de maio deste ano. A companhia também declarou que ainda mantém cerca de R$ 17 milhões investidos no Banco Digimais, com vencimento previsto para esta quarta-feira (24).
Segundo a estatal, os recursos serão transferidos para instituições classificadas no segmento S1 do Banco Central, categoria que reúne os maiores bancos do país e considerada de menor risco para investidores.
A investigação do TCE-RJ ocorre em paralelo à operação da Polícia Federal e deverá analisar os critérios adotados pela Cedae para a aplicação dos recursos públicos no Banco Digimais.



