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Veto de Tarcísio a programa de apoio a pacientes com Alzheimer gera críticas na Alesp

Deputada Beth Sahão afirma que decisão do governador ignora famílias e cuidadores e bloqueia políticas públicas de atenção a doenças neurodegenerativas

Beth Sahão e Tarcísio de Freitas (Foto: Rodrigo Costa/Alesp | João Valerio/Governo de SP)

247 - O veto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Projeto de Lei 534/2020, que previa a criação de um programa estadual de orientação, apoio e atendimento a pacientes com Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, provocou forte reação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A proposta havia sido aprovada por unanimidade pelo plenário em dezembro e tinha como foco oferecer suporte estruturado a pacientes, familiares e cuidadores que dependem da rede pública de saúde, segundo a deputada estadual Beth Sahão (PT), autora da iniciativa.

Para a parlamentar, a decisão do governador representa um gesto de insensibilidade diante de uma realidade que afeta milhares de famílias paulistas. “Esta é mais uma atitude insensível de um governo que atua de costas para a população. Como negar apoio a milhares de pacientes, assim como a seus familiares e cuidadores, notadamente aqueles que dependem do suporte da rede pública?”, questiona Beth Sahão.

A deputada destaca que o impacto social da doença é amplamente conhecido e sustentado por dados epidemiológicos. De acordo com ela, cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos e 25% dos indivíduos acima de 85 anos tendem a desenvolver Alzheimer. “Parte considerável das famílias envolvidas não possui plenas condições para cuidar do ente querido. Por essa razão que o estado deveria criar mecanismos para apoiar essas famílias e esse é objetivo do meu projeto”, afirma.

O PL 534/2020 previa a implementação de uma política de atenção integral, com atendimento médico e clínico contínuo, acompanhamento geriátrico, psiquiátrico e neurológico especializado, além de ações periódicas nas Unidades Básicas de Saúde e na rede hospitalar vinculada ao SUS. A proposta também buscava estimular o diagnóstico precoce, agilizar o acesso ao tratamento e garantir, de forma gratuita, medicamentos considerados excepcionais e indispensáveis.

Outro eixo do programa era o fortalecimento de iniciativas de orientação, treinamento e apoio assistencial, além de campanhas de conscientização voltadas à sociedade. Segundo Beth Sahão, essas medidas são essenciais para assegurar dignidade e humanização no cuidado. “São medidas primordiais para garantir um atendimento mais humanitário, digno e ágil tanto aos pacientes quanto às pessoas relacionadas a eles – parentes e profissionais. Infelizmente, o governador não está preocupado com o drama enfrentado por milhares de famílias e optam por negar a elas o tratamento digno e respeitoso”, conclui a deputada.

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