Esquecidos pela prefeitura, moradores da periferia de Porto Alegre relatam dificuldades
Superlotação de casas e dificuldade no acesso à água potável e alimentos afetam a rotina de famílias que vivem na zona periférica da cidade
247 - Moradores do Morro da Cruz, na Zona Leste de Porto Alegre, relatam superlotação de casas e dificuldade no acesso à água potável e alimentos, mesmo não sendo diretamente atingidos pelas enchentes. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o líder comunitário e membro do G10 Favelas, Michel Couto, relata que as enchentes criaram um novo cotidiano nos bairros periféricos da cidade.
"Tu tem um lar em que moravam cinco e da noite para o dia ficam 15 pessoas morando sob o mesmo teto. As famílias que recebem essas pessoas de fora têm bastante dificuldade de alimento e também falta água", diz em referência às famílias que precisam abrigar parentes e conhecidos desabrigados em suas casas.
O racionamento de água potável também dificulta a rotina das famílias. Cinco das seis estações de tratamento de água de Porto Alegre estão funcionando, mas com capacidade reduzida. Isso faz com que regiões mais afastadas não sejam abastecidas completamente. "A água vinha e depois ficava dois, três dias sem. Tinha de manhã e depois faltava o dia inteiro. Nos mercados conseguimos encontrar alimentos, mas não água potável para beber", lembra a profissional de marketing, Ananda Santos.
O Departamento Municipal de água e Esgotos (Dmae) confirma que o sistema está com intermitência mas que todas as zonas periféricas foram abastecidas com caminhões-pipa. Na última terça-feira, a Prefeitura de Porto Alegre anunciou medidas em prol das famílias atingidas pela enchente, entre elas reajuste no valor do Estadia Solidária e flexibilização nas normas de acesso ao bônus-moradia.


