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Fim do mistério: Polícia divulga desfecho de caso envolvendo morte de mulher e seus pais no RS

O caso teve início no fim de janeiro, quando Silvana, de 48 anos, desapareceu

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul analisa um projétil de arma de fogo encontrado no quintal da casa de Isail Vieira de Aguiar, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. (Foto: Reprodução)

247 - A investigação sobre o desaparecimento de uma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, revelou o uso de tecnologia para simular a voz de uma das vítimas como parte de um plano criminoso. Segundo a Polícia Civil, o policial militar Cristiano Domingues Francisco utilizou ferramentas de inteligência artificial para imitar a voz da ex-companheira, Silvana de Aguiar, com o objetivo de atrair os pais dela. As informações foram divulgadas  pelo portal g1.

 A estratégia teria sido utilizada para convencer os pais dela, Isail e Dalmira Germann de Aguiar, a se deslocarem até o local onde foram mortos. Os investigadores apontam que o crime foi premeditado e envolveu a manipulação de evidências digitais. Ferramentas especializadas em detecção de deepfake analisadas pela reportagem indicaram alta probabilidade de que os áudios tenham sido gerados artificialmente, reforçando a linha investigativa da polícia.

O caso teve início no fim de janeiro, quando Silvana, de 48 anos, desapareceu. No dia seguinte, familiares receberam uma ligação do celular dela informando que havia sofrido um acidente. No entanto, dados de geolocalização mostraram inconsistências: tanto o telefone da vítima quanto o do suspeito estavam na região de Gravataí, e não na Serra Gaúcha, como sugerido na mensagem.Além disso, uma publicação feita a partir do celular de Silvana indicava que ela estava em casa, mas a investigação concluiu que o aparelho estava próximo à residência de Cristiano, o que reforçou a hipótese de fraude.O policial militar foi indiciado por nove crimes, incluindo feminicídio, duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Outras cinco pessoas também foram indiciadas por participação em diferentes etapas do caso, principalmente relacionadas à tentativa de ocultar provas.

Entre os indiciados está a atual esposa de Cristiano, Milena Ruppenthal Domingues, apontada como peça-chave no pós-crime. Segundo o delegado Diego Traesel, há indícios de que ela tenha manipulado dados e contribuído para apagar evidências.“Ao que tudo indica, participou do pós-crime, manipulando dados e conduzindo depoimentos. Ela seria uma peça fundamental. Há indicativos de que ela excluiu contas. Inclusive, o próprio aplicativo de clonagem de voz foi descredenciado quando o autor já estava preso. Então, ela tinha o conhecimento desse aplicativo e realizou o descredenciamento para tentar encobrir essa evidência”, afirmou o delegado.

A investigação também aponta a participação de familiares e conhecidos do suspeito na destruição de provas, incluindo a retirada de equipamentos de monitoramento e a exclusão de arquivos digitais.

As defesas dos envolvidos negam as acusações e afirmam que irão demonstrar a inocência dos investigados durante o processo judicial. Em nota, os advogados de Cristiano informaram que aguardam acesso completo ao inquérito para apresentar uma posição detalhada. Já a defesa dos demais indiciados declarou que confia na Justiça e destacou a necessidade de respeito ao devido processo legal.

O caso é tratado pela polícia como um crime complexo, marcado pelo uso de tecnologia para enganar vítimas e dificultar a investigação. A apuração segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

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