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Mulheres param para tirar selfie em ciclovia e gesto culmina em morte de ciclista no RS

Amigas pararam em ciclofaixa para tirar fotos antes de acidente que terminou com ciclista atropelado em Passo Fundo

A polícia ainda deve colher depoimentos das duas mulheres, analisar as imagens disponíveis e reunir outros elementos para concluir se houve responsabilidade criminal pela morte do ciclista. (Foto: Reprodução)
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247 - Duas mulheres que aparecem em imagens paradas em uma ciclofaixa em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, passaram a ser investigadas por homicídio culposo após a morte do ciclista Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos. O acidente ocorreu na última quinta-feira (4), na Avenida Brasil Oeste, no bairro Boqueirão. 

As informações são do g1. Segundo a investigação da Polícia Civil, Cleocir trafegava pela área destinada ao trânsito de bicicletas quando teria colidido com as mulheres, que estavam no local para tirar fotos para redes sociais. Após o impacto, ele teria se desequilibrado, caído na pista e sido atropelado por um carro.

Com a análise de novas imagens, a Polícia Civil passou a apurar a conduta das duas mulheres como possível homicídio culposo, quando não há intenção de matar. As identidades delas não foram divulgadas. De acordo com a polícia, ambas moram em Carazinho, cidade vizinha a Passo Fundo, e devem ser ouvidas ainda nesta semana.

A investigação busca esclarecer a dinâmica do acidente e verificar em que medida a presença das mulheres na ciclofaixa contribuiu para a queda do ciclista. As imagens mostram as duas paradas em uma área destinada ao deslocamento de bicicletas pouco antes da colisão.

A Polícia Civil avalia que a conduta das investigadas pode ter criado uma situação de risco em um espaço reservado aos ciclistas. A delegada responsável pelo caso afirmou que as mulheres agiram “de forma totalmente inadequada”.

Familiares de Cleocir relataram que ele já demonstrava preocupação com o uso irregular da ciclovia por pedestres. Segundo o sobrinho Rafael Iarchescki, situações de risco eram frequentes no trajeto.

“Ele sempre comentou que tinha problemas com pedestres na ciclovia. Um dia quase caiu, no outro quase atropelou. Era uma constante”, afirmou Rafael.

O caso reacendeu o debate sobre o uso correto das estruturas cicloviárias em Passo Fundo. A cidade conta com mais de 37 quilômetros de malha cicloviária, distribuídos entre avenidas e parques. Em trechos mais novos, há separação entre ciclovia e caminhódromo, o que permite a circulação distinta de ciclistas e pedestres.

Em áreas mais antigas, no entanto, a divisão nem sempre existe ou é bem definida. Essa falta de separação clara pode aumentar o risco de acidentes, especialmente em locais de maior circulação. A sinalização busca orientar os usuários, com placas que indicam espaços exclusivos ou compartilhados.

Segundo a prefeitura, nos pontos em que não há caminhódromo, os pedestres devem usar a calçada. O secretário municipal de Segurança Pública, Tadeu Trindade, afirmou que ciclofaixas exclusivas não podem ser ocupadas por pedestres.

“Hoje temos ciclofaixas que são exclusivas para ciclistas, não pode ter pedestre ali. Nesses casos onde não tem caminhódromo, o pedestre precisa usar o passeio público”, explicou o secretário.

A morte de Cleocir Jorge dos Santos expõe os riscos da ocupação indevida de espaços destinados à mobilidade urbana. Para a Polícia Civil, o inquérito deverá apontar se a parada das mulheres na ciclofaixa teve relação direta com a sequência de eventos que levou à queda e ao atropelamento do ciclista.

O caso segue em investigação. A polícia ainda deve colher depoimentos das duas mulheres, analisar as imagens disponíveis e reunir outros elementos para concluir se houve responsabilidade criminal pela morte do ciclista.