PF mira ex-prefeito de Lajeado por suspeita de desvio de verbas após enchentes no RS
Operação Lamaçal apura uso irregular de recursos federais enviados para assistência social depois da tragédia climática de maio de 2024
247 - A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, a segunda fase da Operação Lamaçal para investigar supostos desvios de recursos federais destinados à reconstrução de Lajeado (RS) após as enchentes que atingiram o estado em maio de 2024. Entre os alvos está o ex-prefeito do município e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Marcelo Caumo.
A ofensiva inclui o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A Justiça também determinou o sequestro de veículos e o bloqueio de ativos financeiros dos investigados.
As diligências ocorreram em oito municípios do Rio Grande do Sul: Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. De acordo com a PF, foram apreendidos três veículos, além de equipamentos eletrônicos e documentos considerados relevantes para o andamento das apurações.
Marcelo Caumo administrou Lajeado entre 2017 e 2024 e já havia sido alvo da primeira etapa da Operação Lamaçal. Conforme as investigações, os contratos sob suspeita foram firmados no último ano de sua gestão à frente da prefeitura. Em abril de 2025, ele assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do governo do estado, cargo do qual se afastou após a nova ação policial.
Na fase inicial da operação, realizada em novembro do ano passado, a Polícia Federal apreendeu materiais que, após análise preliminar, reforçaram a hipótese de direcionamento de processos licitatórios. A investigação identificou supostas irregularidades em três licitações promovidas pela Prefeitura de Lajeado para contratação de empresas ligadas a um mesmo grupo econômico, responsáveis por serviços de assistência social.
Ainda segundo a corporação, há indícios de que os certames não observaram a proposta mais vantajosa para a administração pública e de que os valores pagos teriam superado os preços praticados no mercado.
A PF informou que os investigados poderão responder por crimes como desvio ou aplicação indevida de verba pública, contratação direta ilegal, fraude em licitação ou contrato, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros.
As verbas sob análise foram repassadas pelo Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) em razão das enchentes de maio de 2024, consideradas uma das maiores tragédias ambientais da história do país. Dados da Defesa Civil apontam que o desastre deixou 185 mortos e 23 desaparecidos, além de atingir 478 dos 497 municípios gaúchos. Em Lajeado, duas pessoas morreram e outras três ficaram desaparecidas.


