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Quem são os tenistas presos após gestos racistas durante torneio em Santa Catarina

A dupla foi localizada e conduzida à Delegacia de Polícia, sendo formalmente autuada pelo crime de injúria racial

Martínez teria feito um gesto ofensivo imitando um macaco em direção à torcida presente nas arquibancadas. Em seguida, Rodríguez teria chamado um colaborador do clube de “macaco” (Foto: reprodução)

247 - Dois tenistas estrangeiros foram detidos pela Polícia Militar de Santa Catarina após cometerem atos de injúria racial durante o Challenger 75 de Itajaí, disputado no Clube Itamirim, na tarde desta quinta-feira (22). O venezuelano Luis David Martínez, de 26 anos, e o colombiano Cristian Rodríguez, de 25 anos, ambos cabeças de chave número 1 na competição de duplas, foram acusados de proferir gestos e palavras discriminatórias contra torcedores e um funcionário do clube após a derrota para os brasileiros Igor Marcondes e Eduardo Ribeiro. As informações são do portal UOL.

O episódio teria ocorrido logo após o fim da partida de duplas — vencida pelos brasileiros por 6-7 (4-7), 7-6 (8-6) e 10-2 — quando, segundo relatos de testemunhas e registros de imprensa, Martínez teria feito um gesto ofensivo imitando um macaco em direção à torcida presente nas arquibancadas. Em seguida, Rodríguez teria chamado um colaborador do clube de “macaco” durante uma discussão à saída da quadra, fato que motivou a denúncia formal por racismo. 

Após a denúncia, a Polícia Militar — que já estava presente no local do torneio — deixou o clube e se dirigiu até o hotel onde os dois atletas estavam hospedados em Itajaí. A dupla foi localizada e conduzida à Delegacia de Polícia, sendo formalmente autuada pelo crime de injúria racial, tipificado na Lei 7.716/89, que trata de crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena prevista para esse tipo de delito é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. 

A organização do Itajaí Open divulgou nota oficial repudiando veementemente quaisquer práticas discriminatórias no esporte e destacou que a ação imediata das autoridades seguiu rigorosamente a legislação brasileira. Em comunicado, os promotores do torneio afirmaram que “o ocorrido durante o jogo de duplas teve ação imediata da Polícia Militar, que estava presente e tomou as devidas providências dentro da legislação brasileira. O Itajaí Open repudia veementemente o racismo ou a discriminação de qualquer natureza”. 

As vítimas do episódio incluíram tanto torcedores que assistiam à partida quanto um funcionário do clube, que teria sido insultado diretamente por um dos atletas. Testemunhas do acontecimento relataram que a situação provocou forte constrangimento e revolta entre o público presente, além de gerar repercussão imediata nas redes sociais e na comunidade esportiva. 

O caso levanta questionamentos mais amplos sobre a conduta de atletas profissionais em competições internacionais que ocorrem no Brasil e sobre a responsabilidade das organizações esportivas em garantir um ambiente livre de discriminação e de comportamentos ofensivos para competidores e espectadores. A detenção dos jogadores no âmbito do Itajaí Open também evidencia o papel da legislação brasileira na repressão a crimes de racismo e injúria racial dentro e fora das quadras. 

Enquanto o episódio segue sob investigação das autoridades policiais de Santa Catarina, ainda não houve comunicado público por parte da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) sobre possíveis sanções esportivas adicionais aos atletas envolvidos, que poderão enfrentar punições que vão além das previstas na legislação penal. 

A repercussão do caso também reacende debates sobre a inclusão e respeito no meio esportivo internacional, a necessidade de educação antirracista e a promoção de políticas mais rígidas de conduta entre competidores em todos os níveis de competição, reforçando que atitudes discriminatórias têm consequências legais e impactam negativamente na imagem e na carreira de profissionais do esporte.