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Instituto Consenso é lançado em Brasília para fortalecer saúde pública e privada

Entidade reúne setor público e privado para fortalecer políticas de saúde no Brasil

Diretor do Instituto Consenso, Pablo Meneses (Foto: Instituto Consenso / Divulgação)

247 - A capital federal passou a contar com um novo espaço voltado à articulação estratégica no setor de saúde. O Instituto Consenso foi inaugurado na quarta-feira (18), em Brasília, com a proposta de promover a integração entre os sistemas público e privado, além de fomentar o diálogo técnico entre diferentes atores institucionais.

A iniciativa reúne entidades como a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) e a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Serviços de Saúde, que representam o atendimento de cerca de 53 milhões de brasileiros.

Articulação e produção de conhecimento

O Instituto nasce com a missão de atuar como um polo de convergência para debates, produção de dados e formulação de políticas públicas. A proposta é facilitar o diálogo entre os Três Poderes da República e o setor de saúde, contribuindo para a construção de consensos e soluções estruturantes.

O dirigente do Instituto Consenso, Pablo Meneses, destacou a importância da união entre os diversos segmentos. “O nosso partido é a saúde. É a saúde de cada brasileiro. Mas precisamos unir todos os atores envolvidos. Esse instituto, o Instituto Consenso, não é o instituto de um dono, de uma dona, nós vamos estar juntos. Porque é juntos que vamos transformar o nosso país e a vida das pessoas”, afirmou.

O presidente do Conselho do Instituto e da CNSaúde, Breno Monteiro, ressaltou a relevância do setor, que reúne 897 mil empresas, em sua maioria de pequeno porte.

“Essas empresas precisam ter um olhar exatamente dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para resolver as dificuldades também dos pequenos, que geram inúmeros empregos e precisam ter um olhar diferenciado. Então, esse Instituto, que vem com a palavra consenso — que não é a ausência de divergência, mas a capacidade de criar objetivos comuns. Isso que é importante, e vamos fazer com a ajuda de todos”, disse.

Integração entre SUS e saúde suplementar

A complementaridade entre os sistemas público e privado foi um dos principais pontos defendidos durante o evento. Para a presidente da FenaSaúde, Raquel Reis, o fortalecimento da saúde suplementar impacta diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Saúde é uma só. Quanto maior for esse setor, mais robusta for a saúde suplementar, mais forte fica também o Sistema Único de Saúde para aqueles que precisam dele em toda a sua extensão.”

O presidente da Abramge, Gustavo Ribeiro, afirmou que a criação do Instituto é resultado de um esforço coletivo. “Acho que o setor merece esse espaço cheio de carinho e profissionalismo. Depositamos no Instituto Consenso toda a nossa esperança de construção de um setor mais forte, mais unido, mais coeso, a bem dos nossos usuários e usuárias”, declarou.

A médica Ludhmila Hajjar, professora da Faculdade de Medicina da USP, reforçou a necessidade de integração para ampliar o acesso e a qualidade dos serviços.

“Nós defendemos um único sistema de saúde, o sistema de saúde brasileiro, e que é formado pelo maior sistema universal do mundo, que é o SUS, que atende todos os mais de 200 milhões de brasileiros e brasileiras, e que, pelo sistema de saúde suplementar, atende mais de 50 milhões de pessoas. O que nós buscamos hoje é integrar esse sistema com toda a força que essa união pode trazer para o nosso país”, afirmou.

Apoio institucional e presença de autoridades

A inauguração reuniu representantes dos Três Poderes e de órgãos como STF, STJ, TST, STM, PGR, CNJ, ANS e Anvisa, além de integrantes do governo federal. O evento contou ainda com a presença do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, destacou a relevância estratégica da iniciativa. “A saúde suplementar do país incide diretamente na qualidade da saúde pública como um todo, porque grande parte da demanda de saúde hoje é absorvida por esse serviço. E ter o diálogo com o setor estratégico do país é garantir, primeiro, a boa qualidade do serviço. Segundo, é o papel do Parlamento e do Poder Executivo dialogar com setores que são importantes principalmente na prestação de serviços e também na geração de emprego e renda, que é o que esse setor representa”, afirmou.

O ministro da Saúde substituto, Adriano Massuda, ressaltou a importância da integração por meio de políticas públicas. “Temos diversos mecanismos que fazem uma integração concreta [junto a operadoras privadas de saúde], ou seja, do consenso a gente passa para a ação; ação por meio de políticas públicas que integrem o que a gente tem de melhor nesses dois setores, que precisam trabalhar juntos sempre”, disse.

Fortalecimento do sistema de saúde brasileiro

Representantes de órgãos reguladores também reforçaram o papel do Instituto na construção de um sistema mais eficiente. A diretora da ANS, Eliane Medeiros, destacou a disposição da agência para cooperação, enquanto o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que a instituição está aberta ao diálogo.

A conselheira do CNJ, Daiane Nogueira Lira, defendeu a construção de um sistema universal mais integrado. Já o deputado Pedro Westphalen enfatizou o papel técnico do Instituto no apoio ao Legislativo.

“O nome consenso não é porque aqui vão ser discussões consensuais, não. Vão ser divergentes. Mas esse grupo de pessoas terá dados para informar os parlamentares e entes federativos para auxiliar na condução de propostas legislativas e normas que vão auxiliar todas e todos”, afirmou.

O Instituto Consenso – Convergência em Saúde é uma associação civil sem fins lucrativos que pretende atuar como elo técnico entre Executivo, Legislativo e Judiciário, promovendo conhecimento, diálogo qualificado e políticas públicas voltadas à ampliação do acesso e à qualidade da saúde no Brasil

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