HOME > Saúde

Luana Araujo critica exploração política do caso Ypê e alerta para riscos apontados pela Anvisa

Após bolsonaristas atacarem a investigação sanitária e incentivarem uso de produtos Ypê, infectologista alerta para riscos à saúde pública

Luana Araujo critica politização do caso Ypê e alerta para riscos apontados pela Anvisa (Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal )
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A infectologista e epidemiologista Luana Araujo criticou a politização do caso envolvendo produtos da marca Ypê e afirmou que a disseminação deliberada de desinformação sobre temas sanitários "deveria ser tipificada como um crime contra a saúde pública". Em entrevista à Agência Pública, a médica alertou para os riscos causados tanto pela possível contaminação identificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto pelo incentivo ao uso inadequado dos produtos nas redes sociais.

A controvérsia começou após a Anvisa determinar, no último dia 7 de maio, o recolhimento de um lote de detergentes da marca produzido na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo. A medida ocorreu depois da identificação de risco de contaminação microbiológica em produtos terminados com a numeração 1. No dia seguinte, um recurso administrativo apresentado pela empresa suspendeu temporariamente o recolhimento, mas a orientação da agência para que os consumidores não utilizem os itens investigados foi mantida.

Segundo Luana Araujo, suspensões desse tipo fazem parte da rotina da fiscalização sanitária e não representam perseguição política. "Só neste ano foram mais de 30 produtos que a Anvisa suspendeu ou interrompeu, definitivamente, a produção, por questões fabris", afirmou.

A repercussão ganhou contornos políticos depois que apoiadores de Jair Bolsonaro passaram a acusar, sem apresentar provas, o governo federal de perseguição à empresa. Proprietários da marca fizeram doações para a campanha de reeleição do ex-mandatário em 2022. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, também comentaram o caso nas redes sociais.

Alerta para riscos químicos e infecções

A infectologista também criticou vídeos publicados na internet em que pessoas aparecem utilizando detergente no corpo, no cabelo e até ingerindo o produto em demonstrações de apoio à marca. Para ela, mesmo que não exista contaminação bacteriana, o uso inadequado desses produtos representa perigo real.

"Quando você passa isso na pele e, meu Deus, inacreditavelmente, passa isso numa mucosa, na boca, por exemplo, ou nos olhos, você tem um risco químico importante de alergia ou de queimaduras reais", declarou.

O lote investigado pela Anvisa apresentava risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. Segundo Luana Araujo, o micro-organismo pode ser encontrado em água, solo e superfícies úmidas, mas oferece maior perigo para idosos, pacientes hospitalizados e pessoas imunossuprimidas. Ela ressaltou ainda que a bactéria possui alta resistência a antimicrobianos e capacidade de formar biofilmes, dificultando sua eliminação.

A médica relacionou a circulação de desinformação sobre o caso ao fortalecimento de movimentos negacionistas observados durante a pandemia de covid-19. Na avaliação dela, a ausência de responsabilização para quem divulga informações falsas amplia os riscos à saúde coletiva e compromete campanhas de prevenção e conscientização.

Artigos Relacionados