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'O povo merece o mesmo tratamento do presidente', diz Lula sobre o SUS

Presidente inaugurou neste sábado o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz

Lula visita o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), na Fiocruz (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O presidente Lula afirmou neste sábado (23), no Rio de Janeiro, que “o povo mais humilde” deve ter direito “ao mesmo tratamento” oferecido a autoridades como governadores e ao presidente da República. A declaração foi feita durante a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, em uma agenda voltada à inovação, à pesquisa e à soberania tecnológica no Sistema Único de Saúde (SUS).

A cerimônia na Fiocruz também marcou o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T, iniciativa destinada a ampliar a capacidade nacional em tratamentos avançados contra cânceres como leucemia, linfoma e mieloma.

Em seu discurso, Lula defendeu o investimento em pesquisa como condição para o desenvolvimento nacional. Segundo ele, a inauguração do centro tecnológico representa “a certeza de que a gente não é menor do que ninguém, menos competitivo do que ninguém”.

“O importante aqui é o gesto de inauguração de um centro tecnológico que dá ao Brasil a certeza de que a gente não é menor do que ninguém, menos competitivo do que ninguém. Basta a gente ousar, ter coragem e fazer”, disse o presidente.

Lula afirmou que governos frequentemente resistem a aplicar recursos em pesquisa por considerarem os custos elevados, mas criticou essa lógica ao dizer que o país precisa avaliar também o preço de não investir.

“Fazer investimento em pesquisa nem todo mundo gosta de fazer. O resultado da pesquisa pode não ser positivo. E aí você pensa: ‘joguei dinheiro fora’. Não. Você não encontraria petróleo se você não tivesse pesquisa. Para tudo tem que ser feito pesquisa”, afirmou.

O presidente citou a Embrapa como exemplo de instituição cuja atuação científica contribuiu para transformar a produção de alimentos no Brasil.

“Até para melhorar a qualidade da comida que a gente come, a Embrapa, se não fizesse pesquisa, a gente não teria a revolução que a agricultura brasileira teve. E nem todo governo gosta de investir em pesquisa”, declarou.

Lula também relacionou pesquisa, transferência de tecnologia e política externa. Segundo ele, o Brasil busca parcerias com países dispostos a cooperar com o desenvolvimento nacional.

“Fui dizer esses dias ao presidente Trump que o Brasil não tem preferência na sua relação internacional, política e cultural com nenhum país. O Brasil não tem preferência pela China, pelos Estados Unidos, pela França, pela Inglaterra, pela Alemanha, pelo Uruguai, pelo Paraguai. Não temos. Queremos trabalhar com quem queira trabalhar conosco e com quem queira participar da transferência de tecnologia para o nosso país”, disse.

Ao defender maior distribuição dos resultados do crescimento econômico, Lula lembrou que o Brasil teve forte expansão entre as décadas de 1950 e 1980, mas afirmou que esse avanço se esgotou por não ter sido compartilhado de forma mais ampla.

“Esse país, de 1950 a 1980, cresceu 7% ao ano. Durante 30 anos, fomos um dos países que mais cresceram. E o resultado desse crescimento se exauriu porque não era distribuído. Quando as coisas não são distribuídas, as coisas enriquecem poucos e empobrece muitos”, afirmou.

Na área da saúde, o presidente disse que o SUS tem dado “uma lição” ao país e rebateu a ideia de que a saúde privada seja necessariamente superior à saúde pública.

“O SUS está dando uma lição a este país. Melhorar a qualidade da saúde precisa de dinheiro. E de vez em quando eles tentam emprenhar a sociedade pelos ouvidos, tentando mostrar que a saúde privada é melhor que a saúde pública”, declarou.

Lula também criticou o modelo de dedução de gastos com planos de saúde no Imposto de Renda, afirmando que a população sem acesso a esse desconto acaba subsidiando benefícios usados por quem tem maior renda.

“A classe média alta tem plano de saúde caro. Eles falam assim: ‘eu tenho saúde boa porque eu pago um plano bom’. É mentira. Sabe quem paga o plano bom dele? Nós. Sabe por quê? Porque o plano que ele paga, ele desconta no Imposto de Renda, e quem paga é o povo que não tem desconto no Imposto de Renda. Essa é a verdade”, afirmou.

Ao concluir a defesa do fortalecimento do SUS, Lula disse que o Estado deve buscar recursos para garantir atendimento digno à população mais pobre.

“Qual é o papel do SUS? É só ficar assistindo à imprensa falar mal dele? É só ficar dizendo que não tem dinheiro? Se não tem dinheiro, a gente vai atrás. A gente vai arrumar e fazer com que o povo mais humilde desse país tenha direito ao mesmo tratamento que têm o governador, o presidente da República. Não é possível que não seja assim”, disse.

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